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Primavera de Marta - Mensagem do dia 26.04.2022



Percorrendo as estradas do mundo, não será muito difícil localizar a dor e a amargura vergastando consciências.


Em toda parte a abundância divide espaços com a escassez, o riso comunga da companhia do pranto e o desespero compartilha o veículo por onde segue a serenidade.


Num tempo de tão diversos contrastes, cada dia traz uma surpresa que nos projeta em realidades existenciais extremamente diferentes. Quando tudo parece prenunciar fartura e abundância, os flagelos naturais surgem, devastadores, tudo destruindo.


Cidades se tornam ruínas, cemitérios de vivos, onde a agonia e a incerteza consomem as escassas reservas da esperança.


Em meio às orações, se buscando alento e misericórdia aos poderes divinos, desabam sobre a vida do orante as ocorrências mais difíceis, produzindo medo e desencanto.


E quando se espera vida longa ao lado dos afetos queridos, a caricatura da morte passa, expedita, arrancando do convívio fraterno os amores idolatrados.


Será sempre difícil se forrar à visita inesperada do infortúnio e da dor. Chegam sem aviso prévio e partem sem despedidas.


A vida na Terra estará sempre assinalada por altos e baixos, alegrias e contrariedades. Fundamental aprender a conviver com ambas as situações para não se desestruturar quando uma surja, afugentando a outra. Nenhum estado feliz dura para sempre, salvo a consciência pura das almas já desmaterializadas, e todo sofrimento possui raízes no pretérito, na consciência de culpa e na necessidade do despertamento do ser para a realidade ignorada.


Sendo o planeta um reformatório de almas doentes e recalcitrantes no mal, natural que suas ocorrências dolorosas sejam mais frequentes nas trilhas de cada um, facultando o desenvolvimento do bom senso, do cuidado nas expressões afetivas e na cautela ante as reações adotadas diante das ocorrências inesperadas. Ainda muito dado ao reagir, o Espírito que deambula no escafandro ósseo sofre, com muita frequência, a recidiva de sua própria conduta, que retorna ao centro emissor da atitude impensada.


Somos, quase todos, sabedores que a vida não premia nem castiga. Simplesmente devolve em reações automáticas tudo aquilo que projetamos no tempo e no espaço, e quando desequilibramos as leis, ficamos pelas mesmas assinalados para oportuno resgate, que se dá logo após ou em tempo futuro, quase sempre nunca esperado.


O equivocado se afasta da zona delituosa como quem se evade do palco de sua delinquência, imaginando no seu tresvario que ninguém viu. Ignora que somos uma humanidade vestida de carne, acompanhada de perto por uma outra desnudada pela morte, a nos espreitar os mínimos gestos. E mesmo quando a ação infeliz não é anotada por olhos humanos ou câmeras de segurança, a consciência, onde estão grafadas de maneira indelével, as Divinas Leis, tudo anotou, preparando a fatura respectiva, a ser apresentada ao devedor em momento oportuno.


Ainda não se conhece no mundo alguém que tenha pisado o solo do planeta e estivesse completamente quitado com ele, com exceção de Nosso Senhor Jesus Cristo. Almas em turvação, estamos todos a caminho da luz.


À frente, nossas esperanças.


Ao nosso lado, a multidão de equívocos e escassos acertos.


Em nosso pretérito, as nódoas e mossas emocionais de insanidades, despautério e loucura, a se misturarem com diminuta porção de ações nobres e dignas.


Apesar de tudo, não temos como reverter um ontem sombrio, senão investindo num hoje de trabalho intenso, visando um amanhã de paz e ventura.


Sonhamos com as glórias dos cimos da vida maior. Nos imaginamos na assembléia de venturosos, portando asas à semelhança dos anjos.


Existem tais aglomerações de almas de escol, a se nutrirem do belo e do amor, mas não foram criados perfeitos, isentados de provas e expiações.


Estiveram nas leiras do mundo em tempos longínquos, sofreram dificuldades e navegaram em mares tempestuosos igualmente, mas elegeram o amor e o trabalho, a fidelidade a Deus e as diretrizes do Cristo como roteiros da própria existência, triunfando pouco a pouco sobre as imperfeições que os caracterizaram no ontem distante, hoje desfrutando de ventura e felicidade em estado quase que permanente.


Vez por outra, descem ao solo do planeta para missões transcendentes, acendendo claridade em muitas vidas, fecundando o solo de incontáveis corações e lecionando como vencer, não no mundo, mas sim o vastíssimo campo das inquietações, da falta de fé e de coragem de continuar lutando pela ascensão.


Adota um deles como teu guia e mestre, imita os gestos que o sublimaram e segue à frente. Onde imaginas que a estrada terminou, ela só está começando.


Marta

Salvador, 26.04.2022

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