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Primavera de Marta - Mensagem do dia 04.02.2022



A sede de bens transitórios tem abrasado a criatura humana desde eras priscas.


Construtor e herdeiro de impérios faustosos, que se ergueram à custa de muitas vidas, reis e imperadores não mediram esforços para açambarcar as mais vultosas riquezas minerais de seu tempo, ajuntando colossais fortunas que lhes marcaram o fastígio transitório. O império persa do passado longínquo detinha tesouros inimagináveis em seus subterrâneos, frutos do saque e da rapinagem sobre povos vencidos.


A Lídia, sob a liderança do rei Creso, possuía as mais vistosas gemas que se tem notícias da antiguidade, tendo sido oportunamente destruída por Ciro, rei dos persas, que reduziu Creso à simples condição de escravo.


Na atualidade, as gemas cobiçadas tornaram-se cédulas, onde a força do mercado dita as regras do jogo financeiro do mundo.


Ali, em meio a apostas arriscadas e movimentações financeiras de altíssimo risco, investidores ávidos por acumular fortunas em reduzido tempo jogam suas fichas em safras ainda não plantadas (bolsa de valores do futuro), pressionam e especulam investimentos imobiliários, erguem condomínios de alto padrão, apostam em moedas estrangeiras e sua constante flutuação em relação à moeda local e atuam em ramos variados, sempre buscando o enriquecimento fácil e rápido, com custo mínimo de risco.


E da noite para o dia assistimos personalidades apagadas se tornarem estrelas fulgurantes, as chamadas celebridades, invejadas por muitos, desejadas por outros e admiradas por alguns.


No campo das redes sociais, o interesse não é menor.


Desde sua chegada ao domínio do homem, tem sido terreno fértil para o comércio virtual, muitas vezes tornando desconhecidos grandes ases da propaganda e das empresas virtuais, emergentes, conhecidas pela expressão inglesa "startup".


Ninguém poderá ignorar que vivemos uma bolha de crescimento econômico, ora retraída por conta da pandemia, mas sempre inflada por essa busca incontida de ter e deter valores que projetem o ser no patamar das grandes fortunas da Terra. Ocorre que, por mais que se tenha, quase sempre carrega o ser um espinho "encravado nas carnes da alma", porque nunca isento nem blindado contra as ocorrências do destino.


Imensas fortunas e a vida afetiva destroçada por uniões conjugais infelizes.


Carrões de alto valor nas garagens imensas e um gigantesco vazio existencial, corroendo a alegria de viver.


Dígitos e cifrões em paraísos fiscais, mas doenças e moléstias incuráveis pela atual medicina terrestre abatendo os corpos frágeis.


Descomunais residências, muitas moradas em praias fechadas ou ilhas privadas, mas por dentro as lágrimas escondidas da imensa solidão e a falta de amigos sinceros.


Quanto mais se junta, mais pobre fica!


Com a perda da privacidade, decorrência natural de quem se torna muito popular, o indivíduo se vê obrigado a ocultar-se de tudo e de todos, preservando a própria vida e perdendo de vez o contato com as coisas simples. Muito comum na atualidade constatar muitos desses novos milionários e bilionários mergulharem em graves transtornos da afetividade e do humor, rumando pelos escuros labirintos da depressão, da ansiedade e do suicídio.


Que adianta ao ser ganhar o mundo e perder a própria alma?


Ter muito por fora e em si constatar miséria de valores morais?


Ajuntar tesouros que a traça corrói, os meliantes ambicionam e o tempo esfacela?


Qual a maior riqueza a ser buscada pelo Espírito em aperfeiçoamento nas estradas do mundo?


O Cristianismo já tinha feito essa proposta há dois mil anos, e o aprendiz ignorou.


O Divino Amigo a repetiu muitas vezes, demonstrando pela vivência que a cruz foi seu altar de extrema renúncia aos poderes passageiros do mundo.


Somos todos crucificados por cruzes invisíveis, ainda constituídas de usura, ambição, sede de poder e posse.


Algemas que elegemos para nos agrilhoar ao calabouço da insensatez e da luxúria.


Busca em tua passagem pelo mundo o estritamente necessário.


Se a Divindade te confiar domínio sobre muitos haveres, recorda o uso consciente e a aplicação em favor do bem-estar coletivo, certo de que toda concessão tem tempo certo para prestação de contas.


E quando soar em teu relógio evolutivo o momento de prestar contas, dá conta de tua administração!


Apresenta ao Senhor da vinha tuas gemas de amor, teus braceletes de ternura, teus atos de socorro aos caídos e tua cota de paciência e resignação para com as ocorrências contrárias aos teus propósitos.


E deixando no chão da Terra aquilo que não passou de posse ligeira, ruma feliz e airoso para a gerência das coisas divinas, te fazendo administrador de estrelas e sóis, a iluminarem os caminhos infinitos da felicidade sem jaça.


Marta

Salvador, 04.02.2022

 
 
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