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Primavera de Marta - Mensagem do dia 07.02.2022



Vez por outra, a inquietação nos ronda os passos, ameaçando a escassa estabilidade alcançada na arte de viver. Pensamentos desconexos, amargas reflexões, consciência de culpa e outros fatores de distonia emocional se nos apresentam na estrada do burilamento, embaraçando ou impedindo nosso acesso aos mananciais da vida plena. E ficamos a nos indagar porque Deus se vale de nosso concurso na obra do bem, como se desconhecesse nossa pesada bagagem de erros e limitações.


Tropeçamos nas coisas mais simples da vida, ainda frágeis e inseguros. Raramente cultivamos as disciplinas dos ascetas e anacoretas de vida contemplativa. Os prazeres materiais exercem poderoso arrastamento e fascínio sobre nossos sentidos, nos atrasando nas boas obras ou contaminando os ideais de elevação. A ira ainda dormita em nosso íntimo, como uma fera enjaulada, mas não domada. Pontos de egoísmo nos fazem exigentes e agressivos. A presunção ainda sobrevive e se manifesta em nossa postura diária, nos fazendo manequins da vaidade e da arrogância.


Se o Senhor deseja servidores qualificados e capacitados para a semeadura da luz, porque veio nos chamar para tão espinhosa tarefa?


Como confiar em mãos vacilantes a travessia de um fino vaso em perigoso leito de pedras escorregadias?


Como assegurar que daremos conta da atividade de divulgação da Boa Nova, se não conseguimos ainda entendê-la no raciocínio e executá-la na vivência?


E de pensamento em pensamento, vamos nos afastando da sublime oportunidade de crescimento e burilamento que a Divindade colocou ao nosso alcance. Assaltados pela síndrome da imperfeição, nos fazemos perfeccionistas doentios, apenas pelo prazer de termos um álibi para justificar a própria paralisia.


Certamente que a atividade saneadora da Terra estaria em melhores mãos se os anjos a viessem executar em nome do Senhor, mas a Suprema Inteligência preferiu utilizar a mão de obra imperfeita do mundo, disponível em grande quantidade, buscando lapidar os futuros querubins.


Ao avarento ensina desprendimento.


Ao arrogante leciona humildade.


Ao agressivo sugere mansuetude.


Ao déspota lapida o caráter.


Aos impacientes ministra serenidade.


E de lição em lição, o Arquiteto do Universo vai melhorando os filhos da grande Criação, insuflando nos filhos o desejo da ascese que vigora no íntimo de cada um.


E se ainda acalentas alguma dúvida, recorda o material humano de que se valeu Jesus para iniciar a evangelização dos próprios irmãos. Doze seguidores analfabetos e rudes, uma massa de aflitos e doentes, de onde saíram alguns seguidores destemidos. Foi pessoalmente buscar o concurso de Paulo, às portas de Damasco, em constatando o Excelso Amigo que ninguém estava disposto a levar a mensagem cristã até os gentios. E aqui e ali, Ele convidou estropiados e desgarrados ao Seu aprisco, os fazendo arautos de um novo tempo.


Não cogitou de incertezas. Buscou a boa vontade latente em cada coração.


Se serviu de ignorantes para ministrar ao mundo intelectualizado grandes lições no campo do amor.


Fez de servidores apagados mártires da fé nascente.


Não, Ele não vem te pedir sacrifícios! Roga, apenas, misericórdia.


Ele bem sabe quem és e o que fazes de quem tu és.


Não te ofertou tarefas sem dar-te as condições para realizá-las.


Não te dotou as mãos de eflúvios curativos, como na época do Cristianismo nascente, mas teu verbo pode erguer alguns do desalento, teu exemplo de abnegação pode estimular os néscios, tua determinação pode acordar vários da letargia moral e tua fé, viva e robusta, vai encorajar muitas almas em paralisia das boas obras.


Se Jesus te chamou ao ministério, conhece Ele tuas disposições íntimas. Não o desapontes.


Já O deixamos na estrada sozinho várias vezes no curso dos milênios sem fim.


Negamos nosso rosto quando Ele necessitou de um olhar amigo, e mesmo assim não desistiu de nosso concurso na vasta seara, prenhe de trabalho e escassa de servidores.


Sê tu o vaso de onde Ele possa alimentar alguns famintos de esperança, fonte de onde subtraia a sede de muitos e apoio seguro a quem tropeça nos próprios pés.


Vai! Teu dia de trabalho já começou.


Jesus já te esperou em demasia. Serve sem medo e teus problemas se desvanecerão qual neblina teimosa visitada por clarão de sol em manhã primaveril.


Quem tem Jesus jamais teme fracasso.


Marta

Salvador, 07.02.2022

 
 
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