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Primavera de Marta - Mensagem do dia 25.07.2022



Quando um indivíduo passa a manejar diferentes ferramentas de natureza ideológica na vida, quase sempre sofrerá a descaridosa opinião alheia sobre a estranha mudança.


Filiando-se a essa ou aquela corrente política, adota suas diretrizes, compartilha suas utopias e busca amplificar em derredor novos simpatizantes, mas sofrerá aguerrida luta por parte daqueles que se colocam em nicho de pensamento oposto. Via de regra, esse tem sido o atual cenário da política mundial, onde partidos se engalfinham na disputa do poder temporal, manejando sonhos da massa aturdida com a escassez cada dia mais crescente de possibilidades criativas. Em muitos lugares e casos específicos, as pugnas de interpretação saem do campo dos debates e descem às ruas, arregimentando fanáticos que fazem da violência sua política pessoal. Não raro, sem intervenção do Estado e das forças de segurança, a instabilidade pode se tornar viral e rasgar o frágil tecido social, abrindo escuros grotões de insurreições e baderna sem fronteiras.


Quando os antagonistas estão revestidos de elegância, os debates se projetam em cenários de TV ou auditórios lotados, onde ideias são discutidas, e não os idealistas.


Opiniões e pontos de vista contrários ou antagônicos são trazidos à baila como alternativas ideológicas de compreensão da realidade fática, onde cada corrente abraçada oferta suas baterias de argumentação em favor da mudança, contrariando ou não a realidade existente.


Isto, numa plateia de estudiosos, intelectuais, pensadores e artistas gera um caldo nutritivo de pensamento que reflete uma sociedade plural, onde é perfeitamente aceitável a convivência de pensamentos distintos.


Um dos maiores desafios da convivência tem sido justamente a aceitação da diferença, até longe de ser empobrecimento, se constitui num espelhamento de que a grande família humana marcha sob várias correntes ideológicas, e cada uma delas, possui vantagens e desvantagens, aspectos construtivos e outros dispensáveis.


Desde a era socrática até nossos dias, e foi justamente em Atenas que se tem como berço da democracia, que os embates no campo da gestão da coisa pública tem movimentado bilhões de neurônios na defesa intransigente de seus pontos de vista. Péricles, a quem se atribui o século de ouro (V antes de Cristo), sofreu forte oposição daqueles que ironizavam seus discursos públicos e sua abordagem das questões de interesse coletivo. Nem por isso o sistema de governo por ele idealizado deixou de fazer história.


No terreno movediço e instável das religiões, a questão é tão mais delicada que muitas famílias se romperam justamente por discordância no campo vastíssimo da interpretação de textos de natureza teológica. Este garante a existência de Deus, o outro nega. Um se faz agnóstico, ou prefere o panteísmo como plataforma de suas crenças, discordando de quem pensa diferente. E em muitas famílias, irmãos se levantam contra irmãos, como a reprisar o mito de Caim, ceifando Abel.


Toda ideologia é valiosa, sobretudo quando prevê o bem estar do próximo e não foge do bom senso. Quando suas metas passam pelo manejo da violência ou se propõe a alienar massas inteiras, atendendo caprichos de grupos que a manejam em benefício próprio, devem ser recusadas ou abandonadas porque, sem aceitação popular, tendem a desidratar e desaparecer, tragadas pelas voragens do tempo, implacável dominador de homens e civilizações.


Já dizia o ilustre escritor francês Victor Hugo que mais poderoso que um exército é uma idéia quando chega seu tempo de surgir e triunfar na Terra. Surge, frágil e discreta numa manjedoura, se espalhando num casamento em Caná.


Alicia 12 pescadores numa vila miserável e esquecida, tão insignificante que sequer nos mapas da época constava. Começa a arrebatar corações.


Não distribui armas. Ama.

Não tencionava derrubar César. Não contava com milícias armadas. Nenhum financiamento externo.


A linguagem era do coração, que descia aos vilarejos miseráveis, às choupanas de imundície para socorrer sem perguntar quem a pessoa era, como pensava e a quem servia.


A solidariedade era e continua sendo sua bandeira.


Sua gestão reside na consciência responsável, que não terceiriza êxitos ou fracassos.


Sua orientação é acolher o outro sem interrogatórios desumanos, lavagem cerebral de espécie alguma ou imposição de ideias. Permite a cada um continuar sendo quem conseguiu ser, até que possa sonhar por si mesmo e como um Jonathan Gaivota, superar os próprios limites e ir além das nuvens cinzentas.


Deus, ideia central, e para esse foco atrator estamos todos em marcha. E mesmo que o outro afirme que nele não acredita, nem aceita sua existência, nenhum desdém ou menosprezo de nossa parte. Ele tem todo direito de não querer aceitar a existência da Causa Primária de todas as coisas.


Nenhum problema em não acreditar em Deus. Problema será no dia que Deus deixar de acreditar nos filhos.


Até lá, seja a tolerância com os diferentes nossa marca na convivência, interesse fraterno pelo que o outro pensa e foco na estrada.


Prá frente é que se anda!


Marta

Salvador, 25.07.2022

 
 
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