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Primavera de Marta - Mensagem do dia 31.01.2022



Aos teus olhos cansados a Terra parecerá um vale de infinitas amarguras, onde a dor preside destinos e o infortúnio rege consciências.


Em uma dilatada existência, tentaste implantar o bem na família, a compreensão no círculo de amizades, a paz entre os contendores de teu labor profissional e a fraternidade em tua vizinhança. Hoje, anotas em tua agenda o fracasso de teus tentames. Acolheste ironia, chalaça, dureza de coração e indiferença.


Renovando as próprias forças e retomando o ideal, levaste sugestões de trabalho e aperfeiçoamento à tua seara de militância religiosa. Empedrados quais estátuas de sal, recebeste dos irmãos de ideal sarcasmo e críticas ácidas, te fazendo solitário empreiteiro das boas obras.


Reflexionando entre as lágrimas e a solidão, te viste desanimado e sem rumo.


Como investir em criaturas que se cristalizaram no passado e se recusam a olhar o futuro? Como semear em solo de pedras ferinas? Onde sustentar a esperança em palradores de verbo fácil e conduta cínica?


Percebes, agora, com algum desapontamento, que o aproveitamento da mensagem do bem é individual, variando de indivíduo para indivíduo. Te dás conta de que todos podem tocar o manto de Jesus, mas nem todos ficarão sarados de suas enfermidades íntimas ou isentos das viciações da estrada comum.


Acolher Jesus no verbo é muito fácil, difícil é viver-lhe as diretrizes. E nem por isso deves amar menos teus irmãos de ideal cristão.


Não é de hoje que travamos contato com a mensagem do Mestre crucificado, e mesmo sensibilizados, tivemos imensas dificuldades em seguir-Lhe os passos. Os apelos de César sempre foram sedutores e muitos não resistiram.


A loucura da carne arrebatou incontáveis.


O cetro do poder temporário ofuscou consciências, que se permitiram mergulhar no labirinto sombrio do mando terrestre, anestesiando a consciência sob os narcóticos da tirania.


O dinheiro fácil amoleceu a ética de alguns, que se entregaram à desonra, subornando autoridades e silenciando vítimas.


Todos, contudo, sem exceção, não puderam se furtar ao chamado da morte e desceram ao vale de ossos para acerto de contas com a eternidade.


Fostes um entre aqueles muitos alucinados de outrora, mas conseguiste acrisolar uma semente de mostarda em teu vaso imundo.


E Jesus, um cântico perene de esperanças, deixou cair em tuas terras áridas um orvalho de confiança e a plântula frágil se fez arbusto promissor na gleba da ingratidão.


Resolveste por atender ao apelo D'Ele.


Te fizeste samaritano na estrada de alguns tombados. Cirineu nos caminhos de condenados.


Pão entre famintos, água limpa entre sedentos e orientação segura nos descaminhos do mundo, mas teu lado humano esperou gratidão de ingratos, aplausos de manetas e contrapartida de avaros.


Tua esperança trincou qual cristal frágil.


Tua coragem ameaçou partir para longínquo país. Tua fé vacilou no vaso do coração.


Somente agora, após reflexões mais acuradas, vês cada um como cada um é e não como gostarias que fossem. Cada planta dá o fruto próprio de sua espécie.


Apesar dos reveses, não desanimes onde muitos desistiram, não se evada do posto que o Cristo te confiou nem faças zurzir teu flagelo sobre os que não te compreendem.


O sacrifício pessoal é o preço de acesso aos caminhos da grande luz, costuma nos dizer Bezerra de Menezes, incansável paladino da fé.


Jesus continua com muitos admiradores, incontáveis fãs, milhares de biógrafos, pedintes aos milhões, mas discípulos dedicados e amigos empenhados na tarefa com Ele ainda são escassos.


Estás matriculado na escola da renúncia, e a Terra, por enquanto, está longe de ser a morada de anjos e querubins. Somos todos almas quebradiças, enfermos em roupas brilhantes, tentando ocultar as próprias feridas. Nem por isso Ele deixou de nos estender mãos de luz, apontando a seara, sempre vasta de serviço e escassa de trabalhadores.


E então, conseguiste renovar teu ideal e otimizar tua agenda para hoje?


Se sim, levanta-te! Quem escolhe livremente cooperar com Jesus raramente tem tempo para lazer e descanso excessivo, em constatando que a vida no planeta azul ainda é de antagonismo entre sombra e luz, bem e mal, ignorância e lucidez, paixões e altruísmo.


Vamos, já conversamos demais! Lá fora, está nossa melhor oficina de lapidação e aperfeiçoamento. Para o Mestre que escolheste servir, a tarefa nunca terminou e para ti, mal começou.


Marta

Salvador, 31.01.2022

 
 
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