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Primavera de Marta - Mensagem do dia 05.04.2022



Em dado momento de tua existência, pediste a Deus um roteiro, antes que o paroxismo te furtasse, em definitivo, a esperança dos olhos. E a Divindade se te surgiu na estrada na forma de uma causa nobre, que abraçaste em lágrimas.


Deste conta que haviam dores maiores que as tuas.


Mães em mudo desespero, ao pé de filhos doentes, subjugados por enfermidades cruéis.


Velhinhos solitários, relegados ao abandono por familiares insensíveis.


Órfãos de pais vivos, cujas consciências doentias entregaram os próprios filhos ao contato de traficantes.


Enamorados em amarguras superlativas, farpeados pelo abandono do ser amado, a quem entregaram seus mais caros tesouros afetivos e receberam em troca traição e indiferença.


Contemplando tua própria existência, te afirmas ser a criatura mais desventurada da Terra.


A bondade do Altíssimo ouviu teus apelos e anotou tuas lágrimas, sugerindo tão somente que por instantes saia de tua dor e visite um hospital de crianças com neoplasias irreversíveis.


Faça ligeira passagem por um abrigo de idosos, onde cada olhar fita o vazio da própria caminhada.


Passa na rua das mulheres exploradas por homens que possuem idade de serem seus pais, as comprando para o comércio carnal.


Contempla, mesmo que ligeiramente, a família desalojada na enchente e nas chuvas torrenciais, anotando aos próprios pés a completa ruína de tudo que ajuntaram em anos de enormes sacrifícios.


Registra, mesmo que só com o olhar, aquele que foi traído por um amigo de confiança, outro, que se viu arrojado na miséria financeira de uma hora para outra e aquele que viu, na plataforma da impotência, o sonho se tornar pesadelo.


Perceberás, sem muito esforço, existem dores e aflições muito maiores que as tuas.


Incontáveis flores jazem esmagadas no jardim da vida, a se diluirem no seio de outras vidas.


Escondem as próprias lágrimas para não sucumbirem de vez à loucura.


Desejariam deixar de existir e para muitos a morte soa como etapa terminal das dores sem remissão.


Em muitas circunstâncias da caminhada, a Misericórdia Excelsa te coloca na mesma estrada desses corações chagados, buscando fazer de teus braços e de tuas mãos instrumentos de auxílio aos que já entregaram os pontos.


Lenindo algias maiores que as tuas, te sentirás reconfortado nas amargas experiências evolutivas que ora atravessas.


Medicando feridas alheias, esquecerás por instantes as mossas que tua jornada produziu até aqui.


Lembra-te de que estás no mundo para evoluir e aprender, servir e passar.


Sim, teus pés experimentarão muitas vezes a crueza dos espinhos. Nem sempre terás alguém a te lenir as dores. Incontáveis ocasiões te situarão em dolorosa solidão afetiva, nem mesmo tendo a companhia de um cão para suavizar teu deserto íntimo.


Surge teu instante dourado, no dizer poético de Meimei.


Podes superar a ti mesmo, se o desejares.


Podes mergulhar na vitimização, buscando chamar a atenção para teus infortúnios.


A Divindade tudo te permite.


Mas, enquanto estás a caminho, ouve o apelo D'Ele e vai socorrendo quem cruzar teu chão no tempo presente. São os filhos do calvário que Jesus situou em tua rota, acreditando em teu potencial de prestar algum auxílio mínimo a quem perdeu até mesmo o dom da alegria.


Cinco minutos de uma boa conversa, o rascunho de uma trova ligeira, um sorriso ao moço triste e uma palavra de conforto podem ser tudo que o outro está esperando na vida.


Porque sofras, não deixes de socorrer.


Porque teu mundo tenha desabado, não negue teu auxílio a quem não tem outras referências.


Qualquer pedaço de pão tem valor inestimável para o faminto em desespero.


Imagina alguém em sede abrasadora e em tuas mãos o copo de água pura.


Torna teu dia um poema de serviço, uma página de encorajamento e um espelho onde se reflita, para ti mesmo, a capacidade de superação.


O Alto não te pede sacrifícios além da conta. Apenas misericórdia com teus irmãos de jornada comum.


Muitos desavisados estão espalhando pessimismo e desencanto nas fainas do mundo. Sê tu quem labora em sentido contrário.


Torna-te uma árvore em meio à aridez dos tempos presentes.


Sombra para os peregrinos, acolhimento de ninhos para os pássaros, flores exaltando a primavera, frutos doces, alimentando o mundo e se te visitarem o tronco com o machado da intriga ou da calúnia, age como o sândalo, que perfuma a lâmina que o fere.


Pedido final: amanhã tu me conta como foi teu dia hoje?


Marta

Salvador, 05.04.2022

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