Primavera de Marta - Mensagem do dia 05.06.2022
- Casa de Jesus

- 6 de jun. de 2022
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Num momento em que a devastadora pandemia perde fôlego e desacelera, novas enfermidades sitiam a cidadela fisiológica das criaturas humanas, lhes ameaçando uma vez mais a saúde coletiva.
Bilhões de pessoas ainda permanecem não imunizadas, tendo ocorrido uma distribuição desigual dos imunizantes disponíveis, onde nações pobres e em desorganização governamental negligenciaram a vacinação das massas, aturdidas com a letalidade da virose cruel.
Ainda paira muito desconhecimento acerca da ação do vírus, sua origem e se foi fruto de manipulação de militares, interessados em ampliarem o arsenal das armas no campo da guerra bacteriológica.
Num esforço de reunir dados dos principais países atingidos, e podemos dizer quase todos, a Universidade Johns Hopkins, localizada em Baltimore, nos Estados Unidos, estimou até o mês de abril deste ano um quadro de seis milhões de vítimas fatais e meio bilhão de contaminados.
O atual cenário aponta recuo da pandemia, afrouxamento das regras sanitárias e retomada das atividades habituais, principalmente aquelas relacionadas com as escolas e com o comércio, profundamente atingidos em mais de dois anos de restrições na locomoção dos indivíduos.
Em meio a um panorama otimista, surgem as inquietações nas almas, produzindo uma geração inquieta, ansiosa e sedenta de prazeres.
Milhões de ansiosos.
Incontáveis depressivos.
Síndromes variadas, produzindo dilacerações nos delicados tecidos emocionais.
Conflitos familiares que espoucam, incontroláveis, produzindo ruína nos ninhos domésticos.
Sedento por retomar os antigos hábitos, muitos não se valeram da experiência amarga atravessada para refletirem sobre mudanças de conduta e saneamento na área dos pensamentos e dos relacionamentos.
Quase vencida a moléstia devastadora, outras se apresentam no horizonte, gerando medo e incertezas.
Se houve quase pronta resposta da ciência médica, elaborando vacinas salvadoras em tempo recorde, o mesmo não se pode dizer de medidas que possam auxiliar o ser no reencontro consigo mesmo, refazendo caminhos e adotando novos hábitos.
Mergulhado no corpo para o desiderato evolutivo, tem se portado como um adolescente em excursão ao país da fantasia, ignorando ou postergando o estudo de sua realidade transcendente para um futuro incerto.
Adota crenças religiosas sem lhes examinar a essência profunda.
Foge dos livros, optando pelo consumismo das redes sociais, onde gasta fosfato e adrenalina nos diálogos vazios.
Anseia pela reconquista fulminante do status desfrutado antes da pandemia, como se os prazeres da carne fossem os únicos que devam merecer prioridade.
A sociedade sai de uma pandemia e mergulha em outra, de natureza emocional e psicológica.
Certamente que nem todos estão inseridos nessa análise, pois que milhões estão em desespero pela sobrevivência em tempos de escassez de insumos, guerra na Europa e polarização política acentuada, gerando inquietação desmedida nas massas aturdidas.
Urgente se faz elaborar políticas públicas de atendimento ao soçobro mental e emocional de milhões. Tornar as instituições religiosas hospitais de campanha para acolhimento e suporte aos feridos das batalhas não visíveis.
Grupos de oração em favor dos caídos e tombados.
Adoção de momentos diários para as inadiáveis meditações em torno do significado da existência na Terra.
Escolha mais lúcida e sensata dos relacionamentos afetivos, diminuindo os desencantos que ora espancam a esperança e dissolvem o otimismo.
Retomar o exame e aprofundamento das lições de Jesus para o cotidiano, abandonando a cartilha materialista e inserindo na agenda do dia algum espaço para que a mensagem do Divino Amigo faça luz em nossa noite moral.
Estes são dias desafiadores, prenunciando novas e desagradáveis ocorrências, se não houver mudança de conduta e de paradigmas da criatura humana. As ações de agora serão as reações de amanhã.
O quanto semeado nesse momento nos constrangerá à colheita não muito distante.
Que marcas ficaram em tua alma até aqui desde momento inditoso?
Como nele entraste e como estás a sair?
Tomaste alguma vacina contra a histeria coletiva, o medo e a insegurança desses movediços dias?
Busca, o quanto antes, a enfermaria do silêncio, sorve a homeopatia da paz, formula uma prece de gratidão por chegares até aqui e retomando a estrada que te é própria busca ajudar alguém em pior situação que a tua.
Amanhã, é possível que sejas tu a pedir suporte e socorro para tuas carências.
Serve, ajuda e passa. Caminhar enquanto é dia.
Sob neblina ou escuridão, tudo é mais difícil.
Marta
Salvador, 05.06.2022



