Primavera de Marta - Mensagem do dia 07.04.2022
- Casa de Jesus

- 7 de abr. de 2022
- 3 min de leitura

A vida tem sido muito rica de aprendizados, que se sucedem, ininterruptos.
Cada dia traz sua lição, que fica no acervo da alma como estímulo ou desesperança, êmulo ou abatimento, sempre a depender de como a criatura acolhe esses estímulos no seu mundo íntimo.
Uma queda pode significar para um caminhante precioso aviso de como aperfeiçoar a marcha na estrada que lhe é própria. Para um outro caído, será amarga experiência, motivo para blasfêmias e xingamentos contínuos.
A chuva que desaba dos céus em direção à terra é acolhida com gratidão pelo lavrador devotado, mas recebida com acrimônia pelo operário e estudante, que tem seu uniforme encharcado, no rumo da fábrica ou do educandário.
O certo é que as leis divinas estão sempre atentas ao aperfeiçoamento constante do Espírito imortal, na sua longa jornada em busca da grande luz, e cada ocasião se apresenta com seus matizes, carreia lições novas e descarta o antigo, o obsoleto.
A desilusão surge, recambiando o ser para o reencontro com a verdade.
A doença desacelera o ansioso, impondo o tempo do refazimento e das graves reflexões.
A solidão afetiva cura feridas expostas na alma, abrindo-a para novas expressões do amor fraterno.
A prece, esquecida nos momentos de júbilo e saúde, é resgatada no seu justo valor no tempo das provações difíceis e das expiações dolorosas.
O livro, esquecido na estante, é retornado pelos olhos encharcados de pranto quando das duras experiências fracassadas.
O conselho ouvido e não adotado ganha inesperado valor quando a imaturidade não sabe como fazer.
O moço imagina que o mundo é todo seu, até que lhe surja a velhice, onde sua fragilidade vai precisar dos cuidados de outros.
No grande silêncio descobrimos nossas fragilidades e identificamos nossas incertezas, adotando nova estratégia de vida. Ninguém ignora como o arrojo é importante nas grandes empresas do mundo, a decisão rápida, a criatividade, entretanto, não se pode menosprezar a meditação como pausa de refazimento, a oração como instante de abastecimento do ser nos mananciais divinos e a conexão com o transcendente para não perdermos a exata noção de nossa origem.
Que estamos fazendo de nossa imortalidade?
Como lidamos diariamente com as questões afetivas, emocionais?
Em torno de nossos passos, quanta gente aturdida, com pressa, sedenta de possuir o mundo, ansiosas por beber a taça do vinho da vida de uma só vez.
Muitas estão se esquecendo de viver.
Sobrevivem.
Dizem amar. E confundem amor com sexo.
Se dizem religiosas, e aparentam mesmo ser. Frequentam templos, vão a cultos, leem livros sacros. Porém, escondem de todos, até de si mesmas, as incertezas que as consomem, temem a morte, negam o direito do outro e se fazem mecânicas e frias em tudo que produzem.
Se deixaram robotizar pela sociedade de relacionamentos líquidos, apressadiços, superficiais.
Sabem muito. Só na superfície.
Produzem no trabalho como máquinas. Se fazem escravos de estatísticas e relatórios, sem pausa para as flores e a boa música.
Consomem o noticiário com a mesma fome da formiga sobre o açúcar, e se fazem diabéticas intelectuais. Muito consumo, pouca ou quase nenhuma digestão da intenção por detrás das notícias.
Estão sempre cheias de novidades para contar. Sobre os outros, nunca sobre si mesmas.
Nenhuma crítica ou desdouro de nossa parte. Se hoje mudamos, um dia já fomos assim também. É preciso ter paciência, resiliência, desejo de mudar, coragem.
Ser do mundo é diferente de estar no mundo.
Velho amigo de cada manhã, lembra-te de orar antes de demandar a rua. Lê alguma página que te estimule a casa mental. Sorri para alguém que te surja inquieto ou mal humorado.
Segue com serenidade para tua escola ou a fábrica que te emprega, bendiz a oportunidade de serviço e de estudo que ora te ilumina e colabora, de alguma forma, com a melhoria moral e vibratória do espaço em que te movimentas.
Em surgindo mínima pausa entre um dever e outro, respira fundo e mergulha em teu ainda inexplorado mundo íntimo.
Ali, cultiva algum valor que te faça mais do que simples máquina de cifrões e cartões de crédito.
Assume teu compromisso para com a vida, recorda que tens um irmão que foi crucificado por destoar da sociedade de então e trazes no DNA a partícula divina, te credenciando como filho de Deus, em trânsito ligeiro pela escola terrestre.
Teu fanal é o infinito.
Marta
Salvador, 07.04.2022



