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Primavera de Marta - Mensagem do dia 08.03.2022



Estão por toda parte.


Anônimas ou célebres, deixaram em seu tempo a aragem suave da presença materna.


Submetidas ao talante da dominação do macho alfa, se viram pisoteadas nos sentimentos e responderam com silêncio e lágrimas, que o mundo não viu.


Arrastadas como troféus de guerra ou vendidas como alimárias raras, deixaram para trás o torrão natal e foram constrangidas a respirarem diferentes culturas, ofertando os ventres para procriação forçada.


Atrás de reis e imperadores, papas e dominadores cruéis, ali estavam, submissas e silenciosas, carregando vassouras na limpeza de aposentos faustosos ou escravizadas a panelas e talheres, pias e tanques, onde se faziam servas da higiene de imundos morais.


Nas sinagogas e igrejas eram proibidas de entrar.


Quase nunca tinham voz ativa dentro das quatro paredes do lar.


Eram vendidas como mercadoria em algumas culturas do pretérito, não muito distante destes nossos dias.


Tidas na Europa medieval como histéricas, sofreram horrendas torturas em calabouços infectos, antes de terem suas honras violadas por carcereiros desumanizados. Muitas foram perseguidas e queimadas como bruxas, feiticeiras.


Qualquer ligeira visita aos anais da história nos trará informes de dor e subordinação, pisoteamento e escravidão, abuso sexual e olvido. E mesmo entre prantos ocultos e desprezo masculino, eram a retaguarda do amor que nunca cessa.


E com ela começaria o resgate da feminilidade. Maria, a rosa mística de Nazaré, em cujas entranhas se emboscou o filho de Deus para a convivência demorada com os irmãos terrestres.


Sua entrega a um poder Divino.


Sua fé inquebrantável em Deus, mesmo quando os acontecimentos prenunciavam tragédias nas trilhas do Filho Amado. E ao seu lado, as mulheres sofridas daqueles dias inesquecíveis...


Verônica e sua solidão afetiva.


Joana de Cusa e o matrimônio infeliz.


Madalena e seu vulcão de angústias, que Ele pacificara com o toque da paz.


A sogra de Pedro, que Ele libertara da febre devoradora.


A mulher hemorroíssa, a quem Seu toque curara em definitivo.


E muitas outras, ocultas na multidão de andrajosos e famintos.


E ante nossos olhos, vinte séculos desfilaram, ardentes e palpitantes. Os fatos dolorosos prosseguiram, como antes.


As mulheres queimadas vivas na fábrica de tecidos, inaugurando a data hoje evocada.


A marcha das mulheres de Paris, no pós revolução de 1789.


As feministas de todos os quadrantes, nos agitados anos 60.


Aí estão.


A mulher de toga, que nos tribunais, distribui justiça. Equipadas de tensiômetro, medicando dores diversas. Escrevendo livros libertadores. Manejando redes sociais, a influenciar milhares de outras consciências.


Nas aparadeiras humildes, onde a obstetrícia ainda não chegou.


Nas fronteiras veterinárias, se fazendo salvadoras de animais abandonados e doentes.


Nas forças policiais, inspirando respeito e dignidade, em pé de igualdade junto à supremacia masculina fardada.


As operárias na construção civil.


As quituteiras e cozinheiras, de cujas mãos e habilidades culinárias surgem maravilhas do paladar.


Das rezadeiras, que gesticulando o alecrim ou a folha de arruda, espantam o "mau olhado" e reerguem a "espinhela caída."


A professora humilde, que alfabetiza os rebentos alheios, lecionando, exausta, aos próprios filhos, órfãos de pais vivos.


A grávida, cujo parceiro imaturo e irresponsável, abandonou nas incertezas do mundo.


São muitas, são tantas!


Negras, brancas, pardas, mestiças, que importa a cor da pele? São mulheres, antes de tudo!


E enquanto a maternidade existir no mundo, oportunizando o regresso do Espírito às experiências do campo material, temos a certeza de que Deus não perdeu a paciência com os homens, nem fechou o portal da esperança.


Em ti, mulher mãe, mulher amiga ou mulher companheira, permanece o vigor da vida e a renovação incessante da fé!


Em tua data mundial, dedicamos essa página singela!


Marta

Salvador, 08.03.2022

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