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Primavera de Marta - Mensagem do dia 09.12.2021



O final do ano enseja a muitas criaturas o desejo de mudanças, ocorrências essas que invariavelmente são externas. Se alocam recursos para a reforma do apartamento, compra de novos móveis, construção da piscina desejada, pintura de paredes desgastadas e outros itens do lar.


No campo pessoal, roupas e adereços da moda são priorizados pela grande maioria dos indivíduos, e isso explica a explosão de consumo no período natalino.


Focado apenas na aquisição de bens transitórios, indispensáveis ou não, ao ser não resta muito ânimo para colocar na pauta de preocupações itens que digam respeito às melhorias íntimas, quais sejam, mudanças de conduta, alterações de comportamento, assimilação de novos hábitos. Essa prateleira fica em segundo plano.


Contaminados pelo consumismo desses dias que assinalam o Natal e o réveillon, o turbilhão de propagandas parece hipnotizar milhões, que empregam os escassos ou abundantes recursos de que disponham na aquisição de supérfluos e presentes diversos, cada um deles atendendo peculiar intenção.


A dieta sugerida pelo médico é adiada para o ano novo. A revisão do comportamento, que no ano a findar-se causou distúrbios na família e na vida de relações, igualmente fica postergada para incerta data no futuro. Reflexões sobre a vida, o sofrimento e experiências marcantes parecem sofrer estranha anestesia, deslocadas para um porvir pós festas.


Certamente que o momento do Natal, tipicamente festa de família, não deveria nos afastar do convívio com os entes queridos, oportunizando momentos de reencontro e estesia. O instante que assinala o final de cada ano é aguardado com crescente expectativa, onde muitos firmam para si mesmos comovedoras cartas de boas intenções, as olvidando logo no primeiro dia do ano.


Entra ano, saí ano, o aprendiz passa a acostumar-se com o fracasso, se admite chumbado às ocorrências comuns e opta livremente pelo estacionamento na zona de conforto onde se nutre, bebe, dorme e procria sem maiores inquietações.


E os grandes sonhos?

Onde ficaram os projetos de melhoria pessoal?

Como avançar sem reformas de profundidade?


Em inúmeras circunstâncias, o despertamento somente se dá quando a dor se apresenta inesperada, constrangendo o Espírito a reconsiderar prioridade aquilo que passou a ser descartável.


A enfermidade dilaceradora e imprevista, que chega e se instala, exigindo correção de rota do viajante desavisado.


A solidão, que se insinua, esquiva num primeiro momento, e logo depois se aloja nos vazios da alma, gerando tristeza e depressão.


O vazio existencial, que pareceu preenchido com as ruidosas festas de 31 de dezembro, mas agora se apresentam como fantasmas na alma que não vislumbra motivação para continuar existindo.


O ócio, corrosivo do metal sensível das emoções, e o medo, a convulsionarem as paisagens íntimas, gerando incertezas e inquietações de difícil diagnóstico.


Ninguém, em sã consciência, haverá de condenar o cultivo da alegria e a convivência que esses dias patrocinam, mas também não se pode trancar na gaveta do esquecimento que as mudanças do significado existencial são prioridades na vida de cada um.


Se o passado ensina, o futuro aperfeiçoa sem cessar. E o tempo presente ainda se constitui no melhor período para as deliberações que muita gente vem postergando a cada ano, as empurrando para impreciso futuro.


O tempo é tesouro que não pode ser malbaratado sem graves prejuízos para as deficitárias evoluções de todos nós. Tudo retorna, menos a flecha disparada, a palavra dita e o tempo perdido, segundo velha sabedoria popular.


Se tens apreço ao teu progresso, se desejas realmente crescer enquanto Espírito imortal, aproveitando teu estágio na escola terrestre, reserva a cada dia momentos para tuas reflexões, onde não sejas carrasco de ti mesmo nem procures justificar tuas insanidades no mundo.


Analisa-te com severidade.

Julga a ti mesmo e pergunta, incessantemente, se aceitarias de outrem o que presentemente fazes aos outros.

Vasculha, sem receio, o estoque de tuas emoções.


Identifica quantas vezes te comprometeste à mudança de conduta contigo mesmo, com familiares e com estranhos, perseverando no mesmo ramerrão que te tornou um estorvo para muita gente.


Por ora, a Divina Misericórdia tem ofertado tempo para tuas adiadas reflexões e consequente mudanças, mas nunca esqueças que Cronos é imprevisível, ocorrendo que no próximo Natal e final de ano estejas em outro plano, onde qualquer retomada da carta de boas intenções seja tardia digestão para teus sentimentos.


Com Jesus, o melhor tempo é sempre hoje.


Marta

Salvador, 09.12.2021

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