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Primavera de Marta - Mensagem do dia 10.06.2022



No transcurso de uma existência, o indivíduo alimenta sonhos e desejos que nem sempre logra realizar.


As conquistas materiais, afugentando a miséria do lar paterno e facultando aquisições antes inimagináveis.


As viagens para terras estrangeiras, permitindo intercâmbio com culturas exóticas e acúmulo de conhecimentos.


O casamento feliz, onde o lar se erga por oásis de ventura e refazimento das forças.

Blindagem contra enfermidades destruidoras ou paralisantes, permitindo uma vida útil e fecunda até avançada idade física.


Preservação longeva de afetos e entes queridos em torno de nossos passos.


Ocorre que entre o sonho e a realidade, muitos acontecimentos surgem como percalços naturais da existência, nem sempre aguardados e muitas vezes em sentido oposto aos desejos acalentados. Se possuidor de estrutura moral e religiosa dignificada por uma conduta reta e nobre, esses revezes são absorvidos e se tornam êmulo para o Espírito, que deles se vale para prosseguir a marcha, buscando outras compensações de natureza ética e estética. Mas quando a alma se faz pequena, prisioneira de instintos primários e sedenta de triunfos passageiros, incapaz de enxergar além das próprias ufanias, uma queda é um desastre, um sonho não realizado vira pesadelo cruel e Deus, quando concebido, torna-se algoz da felicidade ambicionada.


A inconformação se faz campo cultivado nas terras íntimas, a apatia ou a revolta se tornam frutos amargos e intragáveis, tornando a vida um poço de queixas e desolação.


A manutenção de uma larga existência em berço esplêndido seria um contrassenso e um estorvo para a evolução do ser. Necessitando de estímulos para avançar, as dificuldades e dissabores periódicos se fazem alavancas que estimulam a criatividade, despertando o ser para sua realidade maior e profunda.


Uma vida marcada apenas por quedas, insucessos, matrizes negativas e frustrações contínuas igualmente seria indesejável. Dentro da regra que rege um planeta de provas e expiações, os momentos felizes se sucedem, intercalados por outros de lições indispensáveis, refregas morais, impactos na visão de mundo, retirada súbita de algo ou alguém a quem se atribuía condição de essencialidade.


Em alguns lances da caminhada, as Divinas Leis autorizam a subtração de bengalas psicológicas e muletas afetivas, constrangendo o enfermo a caminhar com as próprias pernas.


Um vida regalada e opulenta teria efeitos colaterais danosos ao ser em burilamento intelecto-moral, amolentando o caráter e impedindo o aprendiz de crescer para a vida mais alta.


Conclui-se que qualquer excesso desajuda e é tão nocivo quanto uma vida somente na esteira das dores incessantes. Por isso, ao lado da flor, o espinho.


Dias ensolarados são substituídos por manhãs cinzentas, chuvosas.


Meses de enlevo afetivo sofrem abrupta interrupção e sobrevém tragédias não previstas, bifurcando estradas que pareciam levar os enamorados ao mesmo porto. Agora, são barcos em águas diferentes.


Risos de agora podem ser prenúncio de lágrimas, amanhã.


E em quantas circunstâncias o ser parece vencido, derrotado nos ideais e de repente surge uma mão amiga, uma amizade da primeira hora e restaura a confiança, o otimismo?


Em quantos lances da vida uma prece articulada sob a chuva pesada do pranto não obtém resposta positiva do alto logo após?


Nas trilhas da vida, ninguém pode abdicar da esperança e da paciência.


Nenhum sonho se perde. Não realizado agora, voltará a ser sonhado em tempo mais oportuno.


Dores e aflições machucam agora e se esvaem logo em seguida.


Preciso compreender que nem sempre o desejado, sonhado, se enquadra nos planos da Providência Divina a nosso respeito.


A ambição costuma desfigurar os mais belos quadris da vida e o apego excessivo é sempre prejudicial ao Espírito imortal.


Não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes, recomendou Paulo, com sensatez. Sonhou com o triunfo do judaísmo nas almas de seu tempo, mas em se vendo visitado por Jesus às portas de Damasco mudou seus sonhos, se fazendo a duro esforço pessoal o arauto e vaso escolhido pelo Messias.


Tens igualmente teus sonhos.


Te imaginas feliz e venturoso nas ocorrências do mundo.


Nenhuma censura. Crítica alguma, mas se fores chamado aos testemunhos, ergue teu olhar para o alto, agradece a benção da convocação e segue.


Teus mais belos sonhos estão um pouco mais à frente. É lá, na vida futura, que te verás pleno e isento de pesadelos.


Marta

Salvador, 10.06.2022

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