top of page

Primavera de Marta - Mensagem do dia 10.12.2021


Em toda parte anotamos a agonia da maternidade dolorosa, nem sempre percebendo as lágrimas vertidas pelas mães, feridas nos sentimentos. Em qualquer lugar onde a mulher se faça mãe, um sexto sentido se lhe desdobra no íntimo, buscando amparar as vidas que lhe saem das entranhas.


A loba lambe as crias, na impossibilidade de beijá-las. O cabeça-amarela, de origem africana, por instinto, engole os filhotes para protegê-los de predadores. Pássaros vigiam seus ninhos e quando os descendentes estão prontos para o primeiro voo, batem as grandes asas na borda da maternidade de gravetos, ensinando sem palavras como singrar os céus.


Sublimado os instintos, as mães acompanham pelo aguçado sentido da maternidade os rebentos que a vida lhes ofertou pelo resto da existência. Em comovedores testemunhos de renúncia, muitas renunciam às regiões felizes e descem aos abismos de sombras densas para amparar e socorrer os filhos em tresvarios da loucura. Ignorada nos grandes lances da história, por detrás de cada déspota, profeta, governante ou filósofo, havia sempre uma mãe, jubilosa pelo caminho reto escolhido pelos filhos ou em martírio silencioso quando desviados das trilhas do bem.


Na mitologia grega, Rhea era a deusa da maternidade e da fertilidade, esposa de Cronos e mãe de Zeus, mais tarde senhor do Olimpo. Protegia os lares e o casamento. Na tradição cristã, a maternidade ficou em segundo plano, já que o machismo ancestral praticamente apagou o papel da mulher no seio da cultura herdada dos hebreus e depois repassada aos continuadores da mensagem de Jesus.


Contrariando seu tempo, o Divino Amigo sempre esteve cercado de mulheres, invariavelmente as mais sofridas. Evitou o apedrejamento daquela surpreendida em adultério. Consolou Joana de Cusa para suportar o matrimônio infeliz. Amparou Marta e Maria por ocasião da morte de Lázaro, em Betânia. Reergueu da febre devoradora a sogra de Pedro. E jamais se afastou completamente de Maria, sua mãe, nas peregrinações que realizou, semeando a Boa Nova nos corações em desalento. Ela sempre por perto. Foi nominada cerca de 44 vezes nos textos evangélicos. Teve que absorver a dura punhalada quando João lhe trouxe a notícia da prisão do filho dileto.


Consciente de que acima de sua vontade residia a vontade de Deus, confiou ao Pai suas dores pungentes e prosseguiu acreditando no triunfo da luz sobre as sombras do mundo. Assistiu, em indescritível dor, a crucificação do filho amado e em prece ardente anuiu com a Vontade Divina.


Coelho Neto teria ocasião de afirmar em um de seus poemas que "ser mãe é padecer no paraíso". Até hoje, Maria prossegue como sendo a maternidade que sofre e chora a incompreensão do mundo, até compreender a vontade de Deus sobrepairando ante as injunções humanas. Onde haja a presença de uma mulher, aí reside a esperança da maternidade, do amor de mãe, renovando a vida e ofertando êmulo para prosseguimento da tarefa de melhoria da vida terrestre.


Observa com maior cuidado a maternidade de tua companheira de jornada comum. Divide com ela as dores e dificuldades da educação dos filhos. Ampara quando a exaustão a vencer. Silencia quando ela verter o pranto sem causa aparente. Faze-te companheiro e cúmplice da maravilhosa experiência da materpaternidade, e talvez um dia venhas a compreender até onde é capaz de se sacrificar um coração de mãe pelos filhos.


Se tua velhinha já não divide contigo a estrada da experiência física, agradece a bênção do corpo que ela te ofertou um dia e avança nas trilhas do dever e da honradez, fazendo jus aos valores morais que ela tenha deixado por herança imaterial. Muitos afirmam que as gemas preciosas que dormem no leito da terra são as lágrimas vertidas pelas mães na calada da noite, buscando na oração o amparo da misericórdia divina para os descendentes que irão deixar no mundo.


E nada traduz a ventura que elas exibem quando, nos portais da eterna ressurreição, acolhem os filhos recém chegados das lutas materiais, situando-lhes a cabeça cansada no colo, velando-lhes o sono para o suave despertar mais tarde, consolidando o amor materno como a mais alta expressão do amor de Deus.


A elas, mulheres mães, minha reverência e minha apagada homenagem!


Marta

Salvador, 10.12.2021

 
 
Siga-nos nas Redes Sociais
  • Instagram - White Circle
  • Facebook - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco

2026 © Todos direitos reservados Centro Espírita Online Casa de Jesus - Conhecendo o Espiritismo

CNPJ 44.068.826/0001-68

bottom of page