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Primavera de Marta - Mensagem do dia 11.05.2022



O convertido de Damasco, após a vivência da numinosa experiência às portas da cidade, estava profundamente alterado nas convicções. Três dias de jejum e completa cegueira na estalagem de Judas Matatias impusera ao filho de Tarso um mergulho profundo no desconhecido país de si mesmo.


Volvera, em recordações e lembranças, à infância no promontório onde nascera, o investimento de seu pai na sua formação religiosa, desde cedo o conduzindo à Sinagoga local para os primeiros contatos com a cultura dos antepassados. Moisés se lhe tornara no coração o grande renovador da fé israelita e condutor do povo para a supremacia perante outras raças. Sua sólida formação em Jerusalém, sob os cuidados de Gamaliel, que lhe tomara como filho pelo coração.


A facúndia rica de imagens, o ardor com que exaltava a lei fizeram dele um doutor respeitado e temido ao mesmo tempo. E quando tudo prenunciava um tempo novo, surge um estranho peregrino, arrebatando multidões e falando de amor.


Faz-se seguido de homens desqualificados e doentes, mulheres de vida duvidosa e velhinhos desencantados, e por onde passava deixava sinais de um reino desconhecido, prestes a chegar na Terra, inundando a vida de esperanças e otimismo. Não tivera contato direto com Ele, mas conhecera em Estevão o discípulo arrebatado por aquele estranho profeta.


Agora, tivera a mais impactante experiência de sua curta existência. Demandara a Síria para prender e interrogar um ancião, Ananias, buscando arrancar uma lista de seguidores do carpinteiro, que seriam devidamente punidos por sua autoridade, lastreada por cartas lavradas pelo sumo sacerdote do templo de Jerusalém.


Mas, em perseguição ao velho pregador, fora encontrado pelo Messias, e este o interrogara nos escaninhos da alma:

- Saulo, Saulo, por que me persegues?


Capitulara. Fora vencido.


Sua fúria tornara-se extrema fraqueza.


Sua ânsia de desforra se convertera em fracasso total.


Caíra da alimária, vergastado por aquela intensa luz que lhe devassara a intimidade em sombras.


Fizera-se escravo D'Ele para sempre.


Descobrira que O amava com todas as forças de sua alma indômita.


Em plena cegueira, aguardava algum milagre que lhe reabrisse as pupilas mortas para a policromia das cores.


E nos três dias de reflexões profundas e completa abstinência de alimentos, se viu renascido para um tempo novo. Estava profundamente modificado.


Ergueu-se uma vez mais, atendeu a porta e sem enxergar ajoelhou-se diante de Ananias, se permitindo a cura descrita em atos dos apóstolos, capítulo 9, versos 17 e 18.


Bem sabemos que não és um Paulo de Tarso, nem que onde moras é uma Damasco.


Os tempos são outros.


Mas se perlustras uma jornada em que ignoras de onde vens e para onde vais, bem oportuno que faças uma pausa em pleno deserto de tuas mais íntimas reflexões, caia de tua montaria de ilusões e adentre a cidade de tua redenção, ali buscando a palavra do Senhor, que permanecerá em tua acústica como interrogação aguardando resposta:

- Saulo, Saulo, por que me persegues?


Se algum Ananias te procurar, acolhe a bênção de enxergar novamente e refaz teu mapa evolutivo enquanto é tempo.


Marta

Salvador, 11.05.2022

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