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Primavera de Marta - Mensagem do dia 11.07.2022



Onde surja a presença de crianças, medra a esperança.


Numa sociedade que dilatou de maneira notável a longevidade física, graças aos avanços da medicina e da melhoria na alimentação, a ancianidade parece o contraponto ao início da vida, pois que nos últimos cinquenta anos caiu bastante a natalidade, particularmente após a descoberta de modernos anovulatórios. Desde a pílula anticoncepcional, o preservativo masculino e atualmente um vasto arsenal de meios impeditivos da fecundação, vimos as comunidades urbanas envelhecerem, dilatando o estágio no corpo até uma idade bastante avançada, mas constatou-se que o número de filhos encolheu, sensivelmente, nas novas famílias da segunda metade do século XX.


Justificativas econômicas, financeiras e de ajustes dos cônjuges aos novos tempos, dinâmicos e velozes, serviram e servem de justificativa para lares menores, onde a projeção daquelas famílias de outrora, com imensa quantidade de filhos foi se diluindo, estabilizando em um ou dois filhos, quando muito.


Na mesma linha de raciocínio, notou-se que as gestações gemelares, de tri e de quadrigêmeos aumentou de maneira surpreendente, como se a natureza reprodutiva articulasse uma alternativa para driblar a decisão restritiva que impôs no mundo constelações familiares menores.


A criança será sempre um parque de esperanças e um autógrafo de Deus, endereçado aos homens e mulheres do presente, confirmando que a Divindade não abriu mão da confiança no porvir. E mesmo quando esta surge de situações de violência sexual, não pode nem deve ser penalizada pelo aborto, ceifando-lhe a existência em construção na intimidade uterina. Os fatores propiciatórios à gestação existiam no momento do ato não consentido e um ser foi conduzido pelas leis da reprodução a se emboscar na matéria, volvendo ao mundo material para o desiderato da evolução.


Tem necessidade de vestir-se de carne para reencontrar afetos e desafetos em sua começante jornada, e por isso mesmo deve ter sua vida preservada pelos ditames das leis terrestres.


Que não fique na família biológica que a gerou, isso é de somenos importância. Importa é renascer, ter assistência e proteção até que os albores da mocidade possam lhe garantir condições de prosseguir no mundo por seus próprios meios.


A fase infantil se constitui numa trégua que a Divindade confere a cada renascente, oportunizando condições de sorver diretrizes morais daqueles que são ou serão seus responsáveis, a fim de que prossiga em sua marcha para uma vida feliz.


Interrompida uma existência ainda na vida intrauterina, o ser espiritual se enxerga arrancado de sua segurança, destroçado nos seus projetos de evolução e impedido de prosseguir no seu mister de evoluir no campo material, em muitos casos se voltando com animosidade indescritível contra aqueles que interromperam o período fetal. Outros, já credores de nobreza e discernimento hauridos em transatas existências, lastimam a atitude inconsequente daqueles que patrocinaram o crime cruel, onde a vítima se encontra impossibilitada de defesa.


É perfeitamente aceitável, seja do ponto de vista ético e legal, que a vida em formação no claustro materno seja sempre interrompida quando a gestação traga riscos para a matriz. Em todas as outras hipóteses, somos favoráveis à preservação da existência do ser em construção de seu envoltório carnal, facultando que ele retorne ao mundo, seja para dez minutos de vida orgânica ou uma existência de mais de um século, considerando que somos almas imortais, atravessando uma fileira imensa de renascimentos, sempre buscando o aperfeiçoamento intelecto-moral com vistas à plenitude.


Um lar sem filhos se assemelha a um jardim sem flores.


Um casal sem descendentes se nos afigura um hiato, clamando por uma reticência.


Se existe amor entre dois seres que se propõem à formação da família, dentro dela a criança tem prioridade e sua vida e formação deve ter a proteção das leis humanas e o investimento sacrossanto do amor.


Somente dessa forma poderemos assegurar a continuidade da vida, a perpetuação da espécie humana e o regresso de almas em recapitulação das próprias experiências fracassadas, visando superação e outras que ascenderam nas trilhas da sabedoria e das virtudes, ora volvendo ao campo denso para novos investimentos na melhoria das condições da vida terrestre.


Arbustos hoje, frondosas árvores amanhã.


Gravetos frágeis agora, mourões vigorosos no porvir.


Infantes álacres desses dias tumultuados, suplicando orientação e apoio para que possam acertar o passo nas trilhas da existência.


Aves frágeis, cujas pedradas do mundo podem aniquilar.


Se tens do teu lado um filho em idade miúda ou já despontando para as claridades da adolescência, reflete em tua grave responsabilidade junto com o parceiro ou parceira na educação desse ser que veio aos teus cuidados, confiado pelo amor do Pai aos pais da Terra, a fim de que possas doar o que tenhas de melhor em tua alma, o preparando para continuar singrando o revolto mar das experiências humanas, administrando com segurança os próprios sentimentos.


Teu filho é tua maior responsabilidade no mundo. Em algum momento, serás convidado a prestar contas desse desiderato.


Marta

Salvador, 11.07.2022

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