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Primavera de Marta - Mensagem do dia 13.01.2022



Em uma jornada de apenas vinte e quatro horas, nem sempre anotamos quantas vezes somos procurados pelos infortúnios alheios. De toda parte surgem aqueles que a amargura abateu, o desencanto visitou e o fracasso reduziu a pó. Trazem consigo chagas da alma de difícil abordagem, reclamando atendimento emergencial na enfermaria do silêncio.


Alguns jazem irritadiços, devolvendo em agressividade tudo quanto o mundo lhes negou até aqui. Outros, se permitiram dominar pela cólera e se tornaram águas vinagrosas, de difícil deglutição. Mais alguns, carregam no coração o mudo desespero ante as portas cerradas em toda parte. Quase todos são famintos da alma.


Tiveram a infância machucada pela frieza de adultos cruéis, atravessaram a adolescência divorciados dos sonhos e aportaram na mocidade com seus frágeis barcos, açoitados pelas tempestades da miséria ou das dores contínuas.


Fazem-se agora queixosos, pessoas de difícil convivência. E para tua surpresa, com frequência, te buscam a palavra, a oferta financeira de que possas dispor, como náufragos após soçobro da embarcação onde estavam.


Tornam-se confidente das amargas recordações.


Descrevem lances desagradáveis das próprias vidas.


Exumam cadáveres emocionais que tu julgas que já deveriam estar sepultados.


Fazem-se exaustores de miasmas pestilenciais dos sentimentos em conflitos.


Alguns vivem por viver, à semelhança de defuntos que os coveiros do mundo esqueceram de enterrar.


E nem sempre teu dia está sendo fácil, e eles surgem de surpresa, tornando mais difícil tuas horas.


Mas, se não te procurarem, para onde irão estas almas que a moenda do mundo triturou? À semelhança da vara de cana caiana, foram reduzidos a bagaço pelas engrenagens perversas do mundo. O caldo dulçuroso seguiu uma direção e eles ficaram relegados a outra, impotentes e vencidos. Mas, tangidos por alguma força desconhecida, vieram ter contigo.


Apreciam tua conversa, estimam de alguma forma tua companhia.


Que podes fazer por eles, os esquecidos pela esperança e os deserdados da alegria?


Que tens para dar?


Nas anotações do evangelista Lucas, capítulo 10, versículo 20, consta uma curiosa colocação de Jesus: _"Não obstante, alegrai-vos, não porque os Espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus."_


Talvez exista mesmo nas moradas celestes um grande livro, onde o nome de cada criatura terrestre esteja inscrito. Quando um ou muitos são atingidos pelos vendavais da dificuldade, pelas vagas impiedosas do sofrimento, pelos açoites da miséria, os bons Espíritos procuram no imenso livro alguém que esteja em melhores condições e possa dar algum suporte ao comboio dos oprimidos e ao bloco dos desfalecidos. Localizando aquele que esteja mais próximo da dor alheia, inspiram que eles se acerquem de ti, buscando qualquer migalha de teu auxílio, seja numa palavra suave, num copo de água fria ou num aperto de mão.


Eles já não tem a quem recorrer.


São os irmãos de Jesus que Ele enviou para os confortares.


Em abrindo teu dia com o leque do sol que dardeja acima de tua cabeça, nem de longe podes imaginar quem hoje vai te cruzar o caminho. Logo cedo ou já no fim do dia, em pleno crepúsculo da tarde, este ou aquele inquilino da dor te procurará. Traz uma chaga ou uma ferida exposta. Porta uma dor sentida, mas não vista.


Carregam um pranto que o mundo não quer ouvir.


São rascunhos de gente que o destino descartou na confecção do livro da vida.


Eles também tem sonhos.


Igualmente respiram o mesmo ar que te invade os pulmões.


O estômago deles pode digerir a mesma comida que o teu, talvez a diferença esteja que tu tens. Eles, não.


Estão fechando o dia na canícula e o amanhã para muitos é sombrio.


Não esperam que os tires da miséria num golpe de sorte, nem convertas pedras em pães, serpentes em peixes.


Eles desejam se humanizar novamente.


*Atende-os, se puder, se tiver e se quiser.*


Oferta alguma coisa de ti que neles falta ou está em dormência.


Não permitas que saiam de tua presença sem levarem algo de bom. E certamente deixarão contigo alguma lição que o destino está escrevendo.


Teu nome está no livro da vida...


Como é mesmo teu nome?


Marta

Salvador, 13.01.2022

 
 
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