Primavera de Marta - Mensagem do dia 13.05.2022
- Casa de Jesus

- 13 de mai. de 2022
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Aquela sexta começara cinzenta.
Jerusalém regurgitava de forasteiros, mas aquele amanhecer estava sendo melancólico.
Quase uma semana entre a prisão arbitrária e o flagício injustificável.
Seguidores estavam dispersos na massa de povo, aturdidos e desorientados. Os beneficiados por Suas mãos incansáveis quedavam-se, atrofiados, pela pusilanimidade.
Familiares aguardavam uma reviravolta no caso difícil e Ele permanecia num silêncio que incomodava.
Por que não convocava Suas legiões angélicas e rompia os grilhões da masmorra infecta?
Onde estava Deus que não socorria, em hora tão dramática, o Filho Amado?
Como não esclarecer as circunstâncias aziagas, desfazendo a teia de mentiras habilmente montada para silenciar Sua voz?
Foram três anos de sublimes ocorrências...
De Caná ao Gólgota, Ele estivera em muitas aldeias e anunciara um novo tempo para a sofrida Israel.
Não convocara soldados para uma guerra nem armara uma milícia popular contra Roma. Sua catilinária de luz tinha alvos claros, indiscutíveis: a hipocrisia, o desamor, a ignorância, o espírito sectário e a fé sem obras.
Demonstrara imenso apreço pelos infelizes, solidariedade aos perseguidos e comovedora compaixão pelas mulheres exploradas pelo machismo então sufocante.
Nada fez às escondidas.
Pregara nas praias ou escolhera os montes, onde era escutado por multidões de famintos do pão do céu e da Terra.
Produzira fatos incomuns.
Ofertara demonstrações indiscutíveis de que Deus era com Ele.
Mas, agora, estava irremediavelmente sozinho, rumando para seu derradeiro testemunho.
Açoitado, exausto de noites indormidas, era constrangido a carregar o próprio instrumento de flagelação.
Em certo momento, recebeu o suporte ligeiro das piedosas mulheres de Jerusalém. Enxugaram Seu rosto empapado de suor e sangue tetanizado.
Choraram, copiosamente, Suas dores, que eram também delas, mas agressivas mãos da soldadesca inconsciente as empurraram, separando elas D'Ele, que foi obrigado a retomar a marcha para o monte da caveira.
E horas depois, tudo estava consumado
Três corpos balançavam ao vento triste daquela tarde de agonias. A multidão, saciada na sua loucura, se dispersara para rumos desconhecidos.
O céu escurecera, prenunciando noite tempestuosa.
O corpo D'Ele, pálido e sem vida, descera da cruz e fora encaminhado para um sepulcro de pedra, doado por um admirador de Sua mensagem.
Aterradora solidão se abatera sobre todos. Incertezas fustigavam o mundo íntimo de cada um. Uma trajetória tão luminosa se apagara de encontro a um madeiro infamante.
E a ampulheta do tempo seguiu seu curso inexorável.
Decorridos vinte séculos, os algozes e tiranos foram esquecidos pela história. A massa de povo se multiplicou em milhões de ansiosos e deprimidos.
Muitos se entregaram ao mundo, olvidando Suas lições.
Outros O conhecem, mas preferem manter distância de Sua mensagem.
O ouvem, mas preferem fingir que não O escutaram.
O viram, mas se fazem de cegos.
Frequentam templos religiosos, mas ali comparecem por convenção social, anestesiados para a profundidade de Sua mensagem.
Exaltam Sua divindade, optando pela mesquinhez no charco do mundo.
E transitam do berço ao túmulo como sensitivas que consomem carboidratos e proteínas, açúcares e aminoácidos, sem maiores preocupações com os dias do porvir, fechando seus ciclos no cenário da Terra entre a incerteza e a desesperação.
E tu, quando foi que ouviste falar D'Ele?
Já tomaste alguma decisão?
Vais ficar na expectativa que aguarda indefinidamente ou vais buscar realizar teu desiderato junto aos teus irmãos e amigos, nem que te custe horas de sono e acúmulo de incompreensões?
Tens muitas escolhas à tua disposição.
Não tardes numa decisão. A sexta feira D'Ele foi breve e a tua não será longa.
Marta
Salvador, 13.05.2022



