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Primavera de Marta - Mensagem do dia 13.12.2021



Observando a vida em derredor de nossos passos, constataremos que admirável lei de equilíbrio rege todas as ocorrências.


Uma floresta ergueu-se de sementes minúsculas, tangidas pelo vento ou espalhadas pelos pássaros.


O vasto oceano é alimentado por rios diversos, que lhe entregam suas águas doces em silenciosa renúncia.


O livro que admiramos foi confeccionado página a página pelas mãos operosas do escritor.


O menestrel decora o poema para declamá-lo em praça pública, arrancando aplausos da multidão em êxtase.


Tudo observa uma sequência para se materializar no mundo.


O óvulo fecundado torna-se mórula e depois embrião, viajando da trompa de falópio para a intimidade uterina, onde se agasalha por nove meses, até ser expulso da piscina amniótica para a maravilhosa experiência da vida material.


A natureza, em seus alicerces da manutenção e reprodução da vida, se vale de meios aparentemente desprezíveis para garantir a continuidade das espécies, brotando sementes minúsculas do solo lodoso ou a fazendo eclodir da baba pegajosa do batráquio na lagoa imunda.


Maravilhosa síntese em tudo, carregando as digitais de Deus em cada detalhe.


O macro provém do micro.


A árvore gigantesca de hoje foi o arbusto frágil de ontem.


O ser de agora, na sua imensa complexidade metabólica e estrutural, veio da fecundação de duas gotas de água, carregadas do princípio da vida.


A sabedoria Excelsa encanta e fascina.


Entretanto, quando a criatura humana se vê a braços com lutas e desafios, aparentes fracassos e reveses em projetos longamente acalentados, costuma tornar-se uma fera no campo da indignação e da rebeldia diante dos Divinos Códigos.


Rebela-se contra os insondáveis desígnios de Deus.


Faz-se amargo com seus irmãos, a quem agride com palavras e gestos impensados.


Emite julgamentos precipitados sobre pessoas e circunstâncias que desconhece.


Se impõe com violência sobre outros destinos, estabelecendo o tumulto e o medo em incontáveis corações.


Onde o bem reinava, tiraniza com seus disparates.


Onde o silêncio reinava, sabota a calmaria para cultivar a inarmonia.


Se faz déspota de muitos destinos e sicário de almas fragilizadas.


É pacífico de que ainda não nos conhecemos inteiramente. Apesar de possuirmos espelhos para ajuste da aparência externa, quase nunca nos perguntamos quem é aquele que se reflete neles quando estamos diante dos mesmos.


Ajustamos a peça de roupa, atendendo impositivos da moda ou da convenção estabelecida, mas raramente customizamos a própria conduta, por nos faltar o hábito da meditação e a força de vontade nas indispensáveis mudanças morais.


Exigimos atestado de renovação nos outros, mas quase nunca temos o nosso em alteração desejável.


Nos fazemos implacáveis fiscais da vida alheia, mas relegamos a nossa a lamentável abandono.


Não seja, pois, de estranhar que a Divindade, cansada de esperar pelo nosso impulso de mudança, acione mecanismos da vida para nos promover o progresso e o avanço nos trilhos da evolução. E esses agentes quase nunca são recebidos com agrado por nossa recalcitrância na paralisia e na estagnação calculada.


A enfermidade que freia a loucura.

A escassez, lecionando humildade.

A solidão, oportunizando saudáveis reflexões.

A queda na estrada, ensinando atenção com os calhaus do caminho.

A visita da desilusão, nos restaurando o carro da existência nos trilhos da realidade.

As amarguras e aflições várias, inesperadas e dolorosas, recambiando-nos para a meditação abandonada e a prece relegada ao esquecimento.


Se te vejas sob duros testemunhos, farpeado pela intriga sombria, solitário em meio a tantos desafios e em lutas intermináveis contra aguilhões invisíveis, agradece em lágrimas as provas que desabaram em tua estrada. Fostes chamado ao tempo das provas e verificações periódicas, testando teus limites e dilatando em teu mundo íntimo possibilidades anestesiadas.


Sairás de todas elas mais forte.


O facão que poda a árvore a faz mais robusta e produtiva. Deixa cicatrizes, mas cicatrizes são marcas de combate. Quem não as tem, ainda está em estágio infantil.


A vida não intenciona te destruir. És imortal e nada pode impedir tua existência. Mas nunca te esqueças de que a Terra é vasto educandário, somos todos alunos e estamos de passagem, quais exilados em terra estrangeira.


Nossa morada real reside na pátria espiritual e hoje a mestra incomparável tem novas lições para te ministrar. Observa, estuda, medita e lê os sinais ocultos em cada acontecimento. Perceberás que tua fatalidade é o bem, e desse destino ninguém pode te arredar.


Marta

Salvador, 13.12.2021

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