Primavera de Marta - Mensagem do dia 14.03.2022
- Casa de Jesus

- 14 de mar. de 2022
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Quando um coração equivocado se coloca a serviço das fontes do mal e da ignorância, não se pode prever até onde a capilaridade da infelicidade e da amargura pode chegar. Por onde passa e a quantos atinja, aquela onda cria embaraços e mal-estar, deixando ressaibos de inquietação e dor. Seus famanazes se fazem, voluntariamente, agentes das sombras, espalhando medo e desesperança.
De igual maneira, anotamos os corações que se projetam como archotes na noite escura de muitas vidas.
Quando falam, semeiam a coragem entre os desalentados. Agindo, se fazem vexilários da esperança e da coragem.
Seu otimismo contagiante a muitos arrancam da inércia e da paralisia, os estimulando às boas obras.
Em uma análise superficial, podemos perceber de maneira iniludível que muitas almas na Terra podem se tornar empreiteiros da alegria ou corretores das trevas, empresários do crime ou cultivadores da harmonia.
Cada consciência estagia onde pairam seus interesses. Quando rasteiros, o ser torna-se medíocre, pigmeu moral, fazendo da sua atuação no mundo um espalhar de incertezas e misérias, aterrorizando outros corações que se lhe aderem por ignorância ou afinidade aos ardis muito bem elaborados. Estes nossos irmãos infelizes estão hoje nas redes sociais, no mundo digital, na família e no trabalho, na política e na economia, sempre se servindo dessas plataformas para exteriorizarem seus miasmas pestilentos, deixando escura salmoura tóxica em suas vítimas. Nem sempre alcançados pelos braços da justiça imperfeita dos homens, transitam lépidos, de uma para outra área, travando a marcha do progresso e disseminando a mendacidade, com que procuram ludibriar a muitos.
Cedo ou tarde, caem nas próprias armadilhas.
Em sentido contrário, temos incontáveis almas que já compreenderam seu desiderato no mundo, e se fizeram voluntários do bem e estandartes vivos da amorosidade.
São severos para consigo e tolerantes com as faltas alheias.
Onde chegam, abrem sorrisos.
Também choram suas próprias dores, mas o fazem escondido das massas, escolhendo estancar o pranto de muitos. Identificam os espinhos que existem no mundo, mas estão sempre exaltando a beleza da flor e o perfume da rosa.
São possuidores de uma aura otimista e falam a linguagem do povo, sem recorrer ao verbete chulo ou ao palavrão do cotidiano.
Onde muitos promovem a gritaria, o xingamento, a revolta, eles estimulam a paciência, a resignação dinâmica e a confiança no trabalho.
Oram, arando.
E quando estão diante da situação de terem de optar pelos seus interesses ou de outrem, elegem o coletivo acima do individual.
Ainda são poucos entre uma maioria cativa da inconsciência coletiva e do primarismo individual.
Quase sempre estão crucificados de serviços, dispondo de raros momentos de descanso ou lazer.
Estão sempre enxergando a vida pelo para-brisa e não pelo retrovisor.
São otimistas incorrigíveis, graças a Deus!
Ainda se tem de Jesus uma visão de um homem melancólico e sempre mergulhado em silêncio profundo, indevassável.
Parecia pairar longe dos dramas humanos e muitas vezes foi visto chorando. Essa é uma imagem que não corresponde à realidade, por ser reflexo daqueles que elaboraram sua fisionomia provável no final da Idade Média, período das grandes navegações e descortino de outros continentes e povos além mar.
Jesus era o paradigma da alegria. No seio de um povo sofrido e submetido à escravidão romana, insuflou esperança e confiança em Deus, que soube, com habilidade incomum, divorciar daquele Senhor da guerra ancestral para um Pai amoroso e misericordioso.
Para cada mulher triste e espezinhada que O procurou, teve uma frase de alento e otimismo. Acolheu as crianças com incomum alegria. Orientou velhinhos com Sua experiência e sabedoria extraordinária.
Socorreu Seus discípulos com ensinamentos que ficaram nos anais da história, os fazendo pescadores de homens e mulheres, náufragos das vicissitudes do oceano largo das paixões cultivadas.
E em pleno martírio, inoculou no ladrão arrependido a certeza de que seria amparado além das fronteiras do corpo em escarmento público.
Ao terceiro dia de sepultamento, regressou ao convívio do Seu núcleo de atuação no mundo, desejando paz para todos.
Que vens espalhando em derredor de teus passos?
Que análise faz de tua atuação junto aos teus amigos?
Tens sido porta voz da confiança ou caixa de ressonância da tristeza?
Teus escritos tem erguido moralmente teus seguidores ou tuas muitas letras tem imposto o pessimismo nos olhos de quem te lê cada manhã?
Observa que existem duas opções. Ou com Ele ajuntas ou espalhas!
Em que time estás jogando presentemente?
Só uma coisa é certa: trigo ou joio, sombra ou claridade, libertação ou jugo, cedo ou tarde terás um encontro contigo mesmo para acerto de contas com tua semeadura no mundo.
Marta
Salvador, 14.03.2022



