Primavera de Marta - Mensagem do dia 15.04.2022
- Casa de Jesus

- 15 de abr. de 2022
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Quando o indivíduo adota uma crença religiosa, significativa mudança deveria ocorrer em sua existência. Dizemos "deveria" porque nem sempre essa adesão consegue alterar atitudes e comportamentos do ser que optou por essa ou aquela doutrina religiosa.
Das milhares e milhares de guerras travadas entre as criaturas humanas, inegável reconhecer que a maior parte teve causa por discordâncias de crença entre os conflitantes, fazendo com que legiões, infantarias e cavalarias espalhassem o horror e a destruição, sulcando os campos de batalha com cadáveres.
Desde eras priscas, a imposição de valores teológicos de uma nação sobre outra sempre foi motivo suficiente para a mobilização de tropas, o que evidencia que a doutrina abraçada ou era um equívoco ou não foi devidamente compreendida pela parte que deu iniciativa ao conflito.
Que pregam as crenças que fizeram e ainda fazem parte do acervo da cultura religiosa dos povos diversos? Em seus livros tidos como sagrados, manuais, códigos canônicos e papiros consta sempre a crença numa força superior, a manutenção da paz universal, o exercício diário da caridade aos menos afortunados.
Jamais a imposição, a escravização de vizinhos e estrangeiros, o esmagamento de culturas alienígenas ou o cultivo sistemático da arbitrariedade contra quem quer que seja.
Se até hoje os muitos conflitos tiveram por causa o fanatismo e a intolerância, se deduz que os códigos que alimentam a fé de milhões não foram compreendidos pelos homens.
O judaísmo atravessou uma milenar trajetória em contínuos embates de natureza religiosa. E os cristãos promoveram guerras e genocídios que até hoje jamais se apagaram dos anais da história. Entretanto, a mensagem cristã está alicerçada na figura de um homem todo amor.
Jamais constrangeu pessoa alguma a segui-Lo.
A tolerância aos diferentes era a base de Seu convencimento junto ao outro.
Dialogou com culturas diversas, sentou-se à mesa com comensais distintos e com eles ceou, sempre amistoso e cordial para quem pensava diferente D'Ele.
A doutrina de Jesus, por excelência, propõe sempre ceder para compreender, observar para entender e acolher antes de interrogar.
Nesse momento em que os cristãos católicos se comovem diante da chamada Semana Santa, com seu começo no domingo de Ramos, seu ápice na Sexta Feira da Paixão e sua culminância no domingo de Páscoa, importa saber qual o verdadeiro significado destas efemérides para a compreensão profunda da mensagem dirigida por Jesus ao mundo. Nisso reside o grande impacto que essa mensagem pode e deveria produzir no íntimo de cada um que se afirme seguidor de Jesus Cristo.
Se te comoves ante as evocações da passagem dolorosa do calvário, se a cruz te recorda sacrifício e entrega a um ideal, se o abandono e a traição de um discípulo não o fez desistir da semeadura do amor, começas a vislumbrar como essa mensagem foi capaz de resistir a 300 anos de perseguições implacáveis de Nero a Diocleciano, do aviltamento da sua essência por tradutores e exegetas equivocados e que, apesar do sacerdócio organizado, a massa de povo continuou e permanece confiante nas Suas promessas.
Não existem motivos para tua derrocada ante forças contrárias. És um soldado da grande luz, convocado ao testemunho da fé lúcida em meio a tantos disparates e interpretações tendenciosas.
Dependerá dos cristãos como será o Cristianismo num mundo em conturbado momento de sua evolução coletiva.
Permanece confiante N'Ele.
Chamado a servir, abandona a ilusão e vai.
Situado entre os últimos, serve como se fosse o primeiro. E se teus dias estiverem assinalados pelo experimento das dores e das provações difíceis, ampara-te N'Ele e prossegue, espalhando confiança e otimismo.
Ele superou, estóico, a paixão imposta pela loucura coletiva daquela sexta feira insana, rogando a Deus que nos perdoasse, pois que não sabíamos o que estávamos fazendo.
A tua, talvez, nem tenha começado ainda.
Marta
Vit. da Conquista, 15.04.2022



