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Primavera de Marta - Mensagem do dia 15.06.2022



Em meio a um orbe que atravessa um dos seus ciclos de evolução culminante, se apossa de multidões incalculáveis um enorme vazio existencial.


As facilidades da época carrearam imenso conforto para a maior parte da humanidade, desmotivando muitos para o combate às próprias imperfeições. E enquanto as lutas íntimas e o aperfeiçoamento moral passaram a segundo plano, o fascínio pela tecnologia de ponta, máquinas ultrassofisticadas e comunicações instantâneas empalideceram o cultivo da arte, a produção do saber moral e a capilaridade afetiva foi profundamente afetada por um pragmatismo asfixiante.


Em inúmeros relacionamentos afetivos, a permuta de valores perenes e o cultivo de laços da alma não resistiram ao excesso de investimento em aquisições materiais, estipêndios vultosos e moradias de luxo para início da constelação familiar. Com isso, o diálogo foi relegado a segundo plano, o afeto sofreu corrosão e os relacionamentos se fizeram líquidos demais, superficiais. Não seja de estranhar a intensa movimentação de homens e mulheres, ambos sedentos de afeto, atenção e carinho, mas quase sempre escravizados a desejos passageiros, alegando quase que de maneira constante falta de tempo para aprofundamento em questões do sentimento.


Mas, em meio a tanto tecnicismo, como avançar sem as bênçãos do amor?


Como sobreviver emocionalmente saudável sem um pouco de arte, música, dança, pintura e cultivo do sagrado?


A leitura escasseia, o conhecimento é vasto, mas superficial, a ansiedade é devastadora e o vazio existencial afundou milhões de corações em estados depressivos calamitosos.


Há uma pandemia generalizada de amargura e aflições não contabilizada nas estatísticas da saúde humana, e a maior parte dos atuais desconcertos e apatia provém dessa nutrição deficiente no campo do espírito.


Alma alguma, esteja envergando o manto da carne ou dela liberta se furtará de buscar o alimento emocional para satisfazer nossa grave crise dos tempos modernos. Sem ele, a existência perde o sentido.


Inegável reconhecer que inúmeras existências que deambulam na corporalidade estão em lutas titânicas pela sobrevivência, e escasso tempo lhes sobra para se ocuparem com Sócrates ou Kant, Kafka ou Sartre. Outros, lutam diariamente para manutenção da célula familiar em patamares mínimos de dignidade, suando e sofrendo para trazerem o pão de cada dia à mesa, não dispondo de qualquer intervalo para o cinema ou o teatro, o circo ou uma visita ligeira a uma biblioteca.


Fazem-se autômatos na luta incessante pela sobrevivência, e todo o fosfato que lhes chega na alimentação deficiente é gasto na aquisição do repasto possível de adquirir.


Em todas as civilizações do passado se cultivou algum tipo de arte, e hoje museus e pinacotecas, antiquários e colecionadores guardam relíquias desse período fecundo da inteligência emocional dos povos, mas com o advento da revolução industrial, a descoberta do petróleo e a robotização da sociedade humana, as frentes de lutas passaram a ser outras. O imediatismo produziu uma geração de ávidos por poder e posse, o materialismo engendrou uma sociedade alucinada por acumular riqueza e dinheiro e a própria religião, que deveria ter o condão de não permitir que perdêssemos o contato com o espiritual se mancomunou com as forças do poder temporal, desorientando as já equivocadas ovelhas da casa de Israel.


O que ainda nos consola é a lídima certeza de que a barca terrestre tem um comandante seguro, guiando a nau planetária para sua finalidade evolutiva. E com infinito amor, jamais deixou o orbe sem orientadores que O representaram com dignidade ao longo de milênios.


Deram-se em holocaustos comovedores. Se fizeram mártires mais de uma vez. Lecionaram a renúncia e o desprendimento. Inocularam a fé triunfante e a certeza da imortalidade da alma em seguidores e discípulos.


Tens notícias deles? Conhece alguns deles pelo nome?


Entre uma luta e outra, busca estudar essas vidas ricas de conteúdo espiritual e demonstrações de fidelidade a Jesus.


Também estiveram eles no mundo. Atravessaram lutas parecidas com as tuas.


E muitos foram expulsos do corpo em brutais crimes, articulados pela intolerância e pelo fanatismo.


Teu momento atual é bem diferente!


Inúmeras facilidades tecnológicas te cercam, a ciência médica te cerca de cuidados desde a fase infantil até a idade provecta, vacinas várias te isolaram de enfermidades cruéis e teus campos, a cada ano, batem recordes de safras.


Mas, que fazes presentemente por tua iluminação interior?


Que imaginas existir além da cripta fria dos cemitérios?


Onde puseste teus reais interesses: numa bolsa de valores ou na agência bancária?


Enquanto dispões de tempo no castelinho de ossos, reflete em tuas buscas existenciais. Esse campo tem prioridade, porque para onde vais após o abandono do carro orgânico qualquer cifrão deixa de ter significado e não raro o mais rico do mundo lá desembarca como mísero náufrago, sedento de orientação e luz.


Em O conhecendo, é de se esperar que teu investimento no mundo seja bem diferente.


Marta

Salvador, 15.06.2022

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