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Primavera de Marta - Mensagem do dia 17.01.2022



À medida que perlustramos os caminhos terrestres, se nos aguça o discernimento em torno dos conflitos humanos.


Renteamos, diariamente, com criaturas chagadas, a carregarem problemas e dificuldades que estamos longe de imaginar.


Este, porta uma doença incurável, que tenta esconder dos familiares. Aquele, arqueja sob o peso de dívidas financeiras insolúveis até o momento. Mais um, caminha trôpego, incapaz do próprio equilíbrio, ocultando na alma conflitos que o desertificam internamente.


Certamente que num planeta ainda caracterizado como de provas e expiações, a esmagadora parcela dos Espíritos nele domiciliados é constituído de menores morais, ainda em lutas intensas contra as próprias imperfeições.


Adversários estão por toda parte.


As limitações de toda ordem dificultam os grandes voos e transformam os sonhos em cruéis pesadelos.


Os arrastamentos perniciosos impõem barreiras quase que intransponíveis ao avanço no campo da ética.


Os esforços que redundam em vão criam desestímulo e produzem milhões de fracassados.


É inegável que estamos e somos todos membros de uma sociedade profundamente enferma da alma e doente do corpo. Não seja de estranhar a Terra como um grande hospital de almas enfermas, um sanatório para milhões de deprimidos e esquizofrênicos, um internato para outros tantos e prisão para uma considerável parcela.


Contudo, a Misericórdia Excelsa nunca relegou o ser à própria sorte. Amparando os calcetas e corrigindo os comportamentos tortuosos, fez do planeta a enorme oficina onde burilamos as imperfeições e aprimoramos os valores, a caminho da plenitude.


Em meio ao mar de disparates destes dias de convulsão moral, quanta gente porfiando na ética.


Onde a corrupção estabeleceu domicílio, a honradez de alguns levantou condomínios de segurança nas relações humanas.


Ante o caos a dominar os religiosos, cujas condutas não refletem o conhecimento adquirido, anotamos os templos lotados de fiéis em busca de uma ponte que os possa religar ao Criador.


O soçobro da família não afugentou os jovens das parcerias afetivas, sinalizando que ainda é possível blindar o amor das cangas das paixões dissolventes.


E mesmo quando discursos de ódio e insubordinação insistem em rasgar o tecido social, conduzindo muitas vidas ao conflito armado, pacifistas surgem da massa de povo, conclamando os demais ao respeito às leis e a utilização do bom senso, pazeando para se evitar a instalação da guerra.


Por mais que o cenário se te afigure caótico, a Terra está avançando. Mesmo que alguns insistam na sua convulsão social, buscando tirar proveito da inquietação geral, insiste na manutenção de tua paz interior.


Seduzido pelos holofotes da fama, matricula-te na escola do anonimato e prossegue servindo.


Convidado ao destaque na ribalta dos insensatos, opta por tua segurança junto aos simples e despossuídos de quase tudo.


Encontrando as alcatéias de lobos rapaces, famintos por carniça, desvia teus passos dos caninos destruidores e resguarda-te na segurança do bom pastor.


Olha em derredor e perceberás que os quadros da vida se alteram diariamente. Tudo é impermanente, menos o amor de Deus e a proteção de Jesus.


Ante a chuva ácida desses dias de estupor e vulgaridade, arbitrariedades e egoísmo feroz, primitivismo de muitos e esmagamento da esperança pelos coturnos da presunção e da arrogância, observa a noite do túmulo, a tragar todos os dias bons e maus, novos e velhos, sadios e doentes, cultos e incultos.


Ninguém, absolutamente ninguém, que escape da foice da morte corporal para acerto de contas com a própria consciência.


Porfia, pois, na ética desprezada, insiste na bondade debochada por muitos e resguarda-te no escudo da prece, interfônio pelo qual ouvirás a sinfonia divina, te impelindo a servir e passar, perdoar e silenciar ante a manada de búfalos, em troada insana pela posse do mundo.


Se tiveres controle de teu mundo íntimo, és o ser mais afortunado da Terra e nada mais te será necessário.


Marta

Salvador, 17.01.2022

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