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Primavera de Marta - Mensagem do dia 17.05.2022



Em todos os tempos os mártires das nobres causas raramente receberam o reconhecimento que lhes é devido. Tiveram suas biografias revisadas somente muitos anos depois da morte, e alguns, por absoluta escassez ou mesmo inexistência de documentação probante, diluíram-se na história, atravessando as eras completamente ignorados pelas gerações que os sucederam.


Essa questão tem particular importância dentro da religião, especialmente a cristã, por ser uma das mais antigas da historiografia da civilização humana. Desde seu surgimento na Palestina, com Jesus de Nazaré e discípulos, até seu quase eclipse no reinado já decadente de Diocleciano, sucessivas e implacáveis perseguições fizeram criar um martirológio comovedor, onde somente os anais da vida espiritual conseguiu grafar para os dias do porvir as vidas que se deram em holocausto ao Excelso Amigo.


Homens e mulheres, arrebatados pelo ardor que transpirava da mensagem dúlcida, se permitiam enfrentar, de maneira estóica e honrada, a intolerância então reinante no paganismo que em época alguma conseguiu responder às aflições humanas.


Os deuses de pedra permaneciam em seus faustosos templos, imóveis e frios, diante da miséria e das guerras truanescas que arrebatavam incontáveis vidas, motivadas pela incúria e pelo despotismo de cabos militares, que se ufanavam nas carnificinas periódicas.


As fileiras do cristianismo então nascente começou a produzir um outro tipo de herói.

Forjado numa fé cristalina e robusta, estavam no mundo, mas não eram do mundo. Identificados com a vida futura, eram estrangeiros na Terra, quais passageiros em trânsito por gigantesca alfândega, buscando reembarque para outras regiões do infinito.


Possuidores de uma fé desconhecida, após se renderem à mensagem do doce cordeiro de Deus, se permitiam a não resistência, o não confronto, insculpindo em muitas vidas uma coragem que nenhuma espada dilacerava ou tortura alguma conseguia remover.


No ano 177 de nossa era vultos luminosos deram suas existências nas célebres perseguições aos agrupamentos de cristãos nas Gálias Lugdunense, ali inscrevendo para os dias do futuro imorredoura página de desprendimento e amor à causa de Jesus. Dificilmente alguém recordará, nos tempos presentes, de nomes como Átalo, Maturo, Santo e Alexandre, Alcibíades, Blandina e Pontimiana. Desconhecidos para o mundo e ignorados dentro das fileiras do próprio Cristianismo, atualmente profundamente alterado pelos dedos viciados de exegetas e teólogos remunerados, esses vultos, inúmeras vezes, desceram aos círculos da carne para defender com o próprio sacrifício a mensagem de Jesus, gravando na história religiosa da Terra uma página de inesquecível beleza.


Em teus estudos, lembra-te deles.


Se porventura a dor insistir em fazer morada contigo, agradece a bênção do testemunho e prossegue, intimorato, espalhando confiança e otimismo.


Submetido aos testemunhos, permanece firme em teu posto de sentinela.


Ninguém duvide: Jesus permanece o homem mais biografado da história, mas continua ignorado pelas massas.


Admirado, mas pouco seguido.


Em momentos desafiadores, todos a Ele recorrem, mas quando surge a hora do teste da fidelidade, muitos soldados pedem baixa no quartel e se refugiam na própria pusilanimidade.


Se já não temos na atualidade os coliseus de outrora, nem se permitem mais os circos de matança indiscriminada dos tempos passados, não podemos negar a transição difícil que ora se abate sobre o planeta em convulsões de toda ordem.


Exemplos indignos por toda parte. Intolerância e fanatismo em conluio hediondo.


Altas taxas de suicídio e loucura, exterminando a esperança.


Milhões de apátridas e refugiados, submetidos a situações vergonhosas em uma sociedade que se ufana da sua tecnologia de ponta.


Onde a fibra dos modernos apóstolos de Jesus?


Como localizar numa sociedade de máscaras os que sejam capazes de doar suas vidas por um ideal libertador, sem cogitar de contrapartida argentária?


Em meio a uma civilização barulhenta e ansiosa, de que forma localizar tempo e oportunidade para a oração e o refazimento nas ideações otimistas?


Sê tu a mensagem nova que escasseia no planeta!


Insculpe o Cristo em tuas cogitações de cada dia, levanta-te para o bom combate e avança na seara vasta, ainda escassa de ceifeiros.


O Divino Jardineiro a todos aguarda de braços descrucificados, nos apontando caminhos ignorados num mundo em sombras, a fim de que atinjamos a Jerusalém libertada da qual Ele foi o pioneiro de luz.


Marta e Bezerra de Menezes

Salvador, 17.05.2022

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