Primavera de Marta - Mensagem do dia 18.07.2022
- Casa de Jesus

- 18 de jul. de 2022
- 3 min de leitura

A passagem pela Terra se constitui em verdadeira experiência de vida, onde o aprendiz se vê colocado em vasta oficina, junto de outros colegas. Por toda parte, máquinas diversas desafiam o servidor atento ao manuseio correto, sob pena de algum desastre de consequências imprevisíveis.
Lições, nunca faltam.
Operários que não aparecem, se amparando em fugas indevidas do próprio dever, sobrecarregando os colegas do mesmo setor.
Os que fazem corpo mole, empurrando o serviço com a barriga e amontoando mesas e armários com aquilo que deveriam despachar, beneficiando corações aflitos além do balcão.
Servidores negligentes, que buscam proximidade afetiva com chefes e patrões, a fim de se eximirem das atribuições que lhes cabem no concerto da repartição ou da oficina.
Os contumazes no atraso.
Os que esticam o intervalo, subtraindo minutos preciosos na retomada das atividades que lhe estão afetas.
Mas nesses mesmos ambientes, que igualmente podemos dilatar para incluir o espaço acadêmico ou escolar, localizamos o servidor ou estudante atento.
Sedento de aprendizado, converte qualquer meia hora disponível em pesquisa e curiosidade construtiva.
Dá conta das próprias tarefas e ainda se coloca na posição de auxiliar quem está sobrecarregado de serviço.
Leva serviço para casa com frequência, tentando adiantar o muito que tem pela frente.
Como qualquer contratado, uma vez por ano frui férias regulares, mas nunca deixa serviço pendente para quem vai lhe substituir na mesa ou no estúdio de trabalho.
Temos aquele que, enquanto moureja, pensa e raciocina novos métodos de serviço que otimizem a própria carteira ou mesmo auxiliem a empresa como um todo. E nunca se confundem com a atividade na qual laboram, na presunção de se julgarem indispensáveis. Arthur Miller, escrevendo sua famosa peça literária intitulada "a morte do caixeiro viajante", de 1949, retratava exatamente o pós-guerra, com a ascensão da classe média norte-americana. Ávido por triunfo e sucesso profissional, Willy Loman chegou à empresa como simples office boy e 34 anos depois era vice presidente. Esquecera a família e relegara o filho Biff à orfandade de pai vivo. Deixara de ser ele mesmo para ser uma extensão da companhia de seguros onde trabalhava. Preterido na sucessão que pretendia, sonhando com a presidência, foi tragado pela amargura e o desencanto, optando pelo suicídio covarde. O texto, encenado por diversas companhias de teatro, impactou a opinião pública americana e se tornou um imenso sucesso de público, crítica e bilheteria, mas além disso é preciso refletir...
Quantos Willys Loman estão entre nós? E quantos se valem do serviço remunerado apenas para dilatarem a própria cobiça e ambição de triunfo no mundo?
Não enxergam colegas. Veem cifrões.
Se recusam a atender a retaguarda familiar, abandonando à própria sorte cônjuges e prole, na ilusão de que precisa trabalhar como um escravo para fruir uma aposentadoria folgada, olvidando que o melhor momento nunca virá.
O melhor momento se faz no agora. Nas pequenas alegrias, nas frases não ditas, no toque de carinho, no olhar de ternura, na brincadeira com o filho pequeno ou com os animais domésticos, que sentem a nossa falta.
Sim, cumprir rigorosamente o dever que nos cabe na iniciativa privada ou no serviço público. Atentar que quem trabalha deve ser remunerado, mas nunca olvidar que quem é remunerado deve trabalhar, sem sobrecarregar colegas ou se fazer peso inútil entre corações afetuosos.
Digno o servidor do seu salário, afirmou Jesus, que igualmente deixou claro que Deus trabalha sem cessar e Ele também.
Abandonou Seu sólio de luz e veio à oficina terrestre, ter com Seus irmãos. Constatou nossas carências e percebeu nossas deficiências, mas não se valeu do látego da crítica para consertar a oficina ou advertir servidores negligentes. Nos chamou a atenção para o tempo, esse implacável dominador de civilizações.
Bem aproveitado, gera bem estar e paz na consciência. Aviltado, inquieta e perturba a marcha do servidor no rumo do futuro sem fim.
Em começando uma nova semana, organiza tua agenda, prioriza as urgências e vai realizando uma tarefa atrás da outra, determinado a fechar cada dia com o esgotamento possível das demandas abraçadas.
Não intentes a perfeição absoluta. Deixa essa qualidade com o Divino.
Faze o que esteja ao teu alcance, buscando sempre fazer o melhor. E entre uma atividade e outra, dá uma olhada nesses poentes de fogo, observa uma praia em serenidade, senta-te na grama e deixa os sapatos de lado, sentindo teu contato com o chão do mundo.
Agradece a bênção do trabalho, tecendo alguma oração que conheças de memória.
Sairás renovado e prosseguirás sempre otimista.
A propósito, viste hoje a rosa do deserto que brotou em teu jardim? Está uma gracinha!
Marta
Salvador, 18.07.2022



