Primavera de Marta - Mensagem do dia 21.02.2022
- Casa de Jesus

- 21 de fev. de 2022
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Muito se comenta sobre a equidade entre homens e mulheres na sociedade moderna, ainda tingida de nódoas da herança machista da cultura ancestral.
Atividades iguais, salários iguais. E nem sempre a mulher operária recebe o mesmo valor que o seu colega homem, apontam estatísticas e estudos sociológicos.
Discriminada em vários países, sofre a lapidação pública, a perseguição política e moral, o assédio vergonhoso e é tida como simples objeto do prazer sexual do homem, procriadora de filhos.
Nos anais da história, se registrou a hipotética existência das Amazonas, uma cultura de mulheres guerreiras, que queimavam com tição em brasa um dos seios para melhor adaptação da alfaja, sendo exímias guerreiras e somente admitindo a presença de homens uma vez ao ano para fecundação, sendo os meninos exterminados logo ao nascer, preservando as futuras combatentes do clã. De tal lenda, herdamos o mito de Diana, a mulher maravilha dos quadrinhos e dos filmes de ação, lutando, solitária, para defender os mais fracos e oprimidos.
São necessárias muitas Dianas nos tempos que atravessamos, pois que a desigualdade imposta pelo machismo e pela misoginia tem causado grande e graves prejuízos à sociedade humana.
Alguém já terá dito e publicado nas redes sociais que metade do mundo é constituído de homens, e a outra metade são suas mães e irmãs, dando a entender que são necessários esforços de ambos para que as estruturas perversas, ainda em vigor, sejam substituídas por cultura de resiliência, tolerância e parceria, onde homens e mulheres sejam e se tratem mutuamente como parceiros da mesma luta evolutiva, buscando instalar na atual sociedade uma estrutura de harmonia e convivência na base do respeito e da igualdade de valores.
Direitos iguais, funções diferentes.
A estas, a Divindade conferiu a prerrogativa da maternidade. Àqueles, os labores rudes da construção do mundo, mas igualmente o compartilhamento das tarefas de educação da prole para que uma nova educação se apresente no mundo, desidratando a cultura arbitrária da discriminação e da perseguição ao ser que se vestiu de feminilidade para o desiderato da evolução. Afinal de contas, os mesmos Espíritos que ora mergulham na neblina carnal para as tarefas próprias da mulher, doravante poderão regressar na vestimenta masculina, vivendo as experiências típicas da masculinidade.
Numa sociedade que se ufana da tecnologia avançada, que alardeia a sofisticação de seus equipamentos eletrônicos e que ora ultrapassa os limites do sistema solar, buscando alcançar outros mundos além de Plutão, não se pode admitir que nos vangloriemos de tanto avanço mecatrônico se ainda renteamos com o bruto na agressividade para com a passividade feminina.
Uma mulher abatida pelo fato de ser mulher rebaixa moralmente toda a sociedade.
Uma mulher agredida ou assediada ainda revela a hipocrisia teimosa e/ou a selvageria própria dos pigmeus morais de nossos tumultuados dias.
Sem que a convivência pacífica venha a reger os relacionamentos interpessoais, os enriquecendo de beleza e dignidade, poderemos nos proclamar cultos, não porém, civilizados.
A civilidade deriva da convivência harmônica entre homens e mulheres, em bases de respeito e dignidade, tolerância e cumplicidade nas tarefas do cotidiano, onde cada um cumpre seu papel, auxiliado pelo outro, tenha com ele relacionamento íntimo ou não.
A atual anarquia que solapa a convivência outra origem não tem senão desse fruto amargo dessa árvore malsã e tóxica, plantada por religiosos fanáticos, filósofos equivocados e pensadores com traumas da convivência familiar equivocada, a instilarem no seio da massa o fermento ruim da repulsa e hostilidade ao ser que corporifica outro ser na ribalta das lutas terrestres.
Onde estejas, com quem convivas, respeita o ser diferente de ti.
Ampara sem fanatismo as lutas para a mudança de paradigmas ainda vigentes numa comunidade predominantemente voltada para satisfação do macho alfa.
Consciente de tua masculinidade, age com nobreza e dignidade onde encontres a dignidade feminina aviltada.
És um Espírito imortal, em viagem pelo corpo para a odisseia da evolução.
Valoriza a companheira que te povoou o lar de filhos amados, e prestigia com tua dedicação e carinho a velhinha cujos cabelos brancos o tempo nevou, a responsável por tua vestimenta masculina.
Nunca será um bom marido aquele que não soube ser um bom filho.
E avança entre as divergências do mundo, semeando a certeza de que Deus não é homem nem mulher.
Deus é.
Marta
Salvador, 21.02.2022



