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Primavera de Marta - Mensagem do dia 22.07.2022



Desde eras priscas as civilizações investiram, de alguma forma, na educação de seus cidadãos, atentas para a formação de valores cívicos e sobretudo amor à pátria em que nasceram. Atenas e Esparta, na velha hélade, Roma, na Itália e oportunamente os estados germânicos no período logo após o Renascimento fizeram grandes investimentos na escolarização de sua infância e juventude. Ministrava-se rudimentos de geometria e álgebra, herdada dos gregos, retórica, canto e um pouco de história.

Mais tarde, a grade curricular foi sendo ampliada à medida que o conhecimento se dilatava, ensejando a formação de médicos e advogados, junto com a teologia, que tinha como objetivo a formação de sacerdotes para o clero católico.

Num salto quântico, poderemos hoje comparar as cátedras daqueles dias longínquos e do nosso tempo, percebendo que ainda trazem algo em comum.

O investimento continua sendo enfático na preparação do indivíduo para o triunfo material, a graduação honrosa e a conquista de uma plataforma financeira que permita uma existência sem atribulações materiais.

Conquanto respeitável tal investimento, é de se perguntar: e quando ocorrerá a inserção de matérias que lecionem sobre a imortalidade da alma, as leis divinas e sua aplicabilidade na vida cotidiana.

Existe um hiato, um fosso profundo, entre educação e instrução. Esta última é o manuseio do conhecimento disponível, arrancando o ser da ignorância em relação ao mundo material onde está situado para evoluir. Credencia o discente, nos diversos graus de ensino, ao triunfo dos lauréis acadêmicos, atualmente disputadíssimos. Já a educação, no seu sentido etimológico e profundo, se constitui na mudança de hábitos, de posturas, no relacionamento interpessoal.

Uma faz gênios do cérebro. A outra lapida missionários do amor.

E essa educação tem seu início no instituto da família, onde a presença dos pais em derredor da prole permite conhecer os caracteres de cada um, passando os genitores a adotar técnicas diferentes para cada filho.

Fica claro que mesmo gêmeos ou trigêmeos podem vir com o rosto profundamente parecidos, mas são almas distintas, reclamando orientação própria ao seu estágio evolutivo.

Estevão, nobre orientador de Vila Velha, no Espírito Santo, grafaria oportunamente uma frase lapidar nesse campo: "a criança e o jovem reclamam direção no bem. Evangelize. Coopere com Jesus."

O verbete evangelizar deve ser visto em sentido dilatado, onde não se investe na conversão da criança e do adolescente a uma religião de matriz cristã. Se investe no combate às más tendências, se aprofunda o sentido de atender aquele ser que veio ter conosco no cadinho doméstico, investigando seus comportamentos diante da vida e o orientando para que se faça um homem, uma mulher do bem.

Não lhe faltará acesso à escola pública ou privada, onde cumprirá as exigências da lei, mas na retaguarda será amparado pelos membros da família onde se emboscou para o desiderato da evolução, vivenciando experiências marcantes e se equipando de recursos morais e de sentimentos para a convivência numa sociedade de contrastes.

Adulto, refletirá o que aprendeu nas quatro paredes do lar.

Com ou sem cabedal vasto de conhecimento, se tornará afável no trato com os mais vulneráveis.

Tentado pelas facilidades ilícitas, recusará lançar na sarjeta do escárnio e da indignidade os valores éticos herdados da família.

Buscará corrigir as injustiças onde estas se apresentarem degradando a condição humana.

E onde estiver, seja entre doutores ou ignorantes, sábios ou desprovidos de cultura universitária, falará o que sabe, sem esquecer de ministrar o que sente.

Quando o verbo nasce no cérebro e recebe o lubrificante do sentimento no coração, a palavra se faz luz nos perdidos, orientação aos equivocados e aponta rumos libertadores aos cativos das ilusões.

Oportunamente, reflete nas conquistas intelectuais que te guindaram onde te situas hoje, mas não te esqueças da genitora cansada de guerra, do pai suarento, a trazer para dentro de casa o pão que te nutriu nos verdes anos.

Homenageia-os com tua conduta reta.


Reflete em teu proceder o que eles te ofertaram com ingentes sacrifícios.

Hoje, se ainda estiverem no corpo, te acompanham o triunfo nos palcos do mundo.

Se já demandaram o grande lar, em ti podem ser só saudade, mas permanecem como anjos materno e paterno, te seguindo no anonimato até o dia em que igualmente faças a inadiável viagem, os reencontrando numa pátria onde não mais vigora a dor da separação para os que cumpriram seus deveres no mundo.

Nunca te esqueças que o maior educador da Terra foi Jesus Cristo, investindo intensamente na melhoria moral de Seus discípulos, e suas diretrizes pedagógicas da alma permanecem como um desafio até agora, ainda incompreendidas.

Que tal começar hoje esse estudo diferente?

Marta

Salvador, 22.07.2022

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