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Primavera de Marta - Mensagem do dia 23 02.2022



Não é de hoje que a revelação da vida espiritual tem tocado os sentidos da criatura encarnada, concitando-a a uma nova postura diante da vida.


Ernesto Bozzano colecionara em uma obra colossal os vestígios de manifestações de entes falecidos em inúmeras culturas do pretérito distante, e pelas vias da história universal, somos sabedores hoje que egípcios, sumérios, babilônios e fenícios mantinham incessante intercâmbio com os numes tutelares em seus santuários religiosos, confirmando esse incessante contato com as individualidades despojadas da carne pela morte.


Mais tarde, gregos e romanos também praticariam cerimônias íntimas para evocação dos antepassados, buscando prosperidade e progresso nas atividades comuns da existência.


Os hebreus, a quem se deve a introdução do monoteísmo no mundo antigo, possuíam seletos grupos de intermediários entre as duas esferas e Moisés, o grande patriarca, em toda a sua fecunda e agitada existência, deu inúmeras provas de estar sendo guiado e orientado por vozes que se manifestavam em fenômenos deslumbrantes.


Com a chegada de Jesus Cristo ao cenário da convivência mais próxima dos humanos, a mediunidade alcançou expressão deslumbrante, desde os acontecimentos do Tabor até o século lll, num período onde inúmeros sensitivos fascinaram a decadente cultura pagã de Roma, consolidando a mensagem cristã no mundo.


Apesar do acirrado combate às manifestações de natureza transcendental, após a consolidação da Igreja Romana no cenário do mundo antigo, nunca a fonte das consolações foi secada pela empáfia e agressividade das autoridades eclesiásticas, temerosas de serem desmascaradas na sua hipocrisia e pusilanimidade pelas revelações de natureza supranormais. E quando a noite medieval desceu sobre as consciências terrestres, tentando empanar o progresso e as revelações oriundas do infinito, missionários da vida maior se vestiram de carne para atender ao chamado de Jesus, buscando reerguer a igreja que estava a desmoronar.


São Cupertino, Tereza de Ávila, Antônio de Pádua, Francisco de Assis, Santa Clara de Monte Falco, Catarina de Siena e muitas outras personalidades de escol atestaram, cada uma em seu tempo, a pujança e o vigor da vida que estuava além das cartilagens perecíveis do corpo precário.


E em pleno século XIX eclode, numa Europa materialista e descrente, os robustos fenômenos das mesas girantes, convidando sábios e entendidos, cultos e incultos para o exame de uma nova revelação.


A ciência fez-se religiosa. A religião fez-se científica. A filosofia e as técnicas da maiêutica foram resgatadas da velha escola socrática, dilatando em salões de Paris e velhas bibliotecas londrinas o interesse pela investigação dos fenômenos deslumbrantes. Uma constelação de médiuns morais impactou o velho continente e a América, abrindo espaços para insuspeitas análises da vida além da vida.


Muitos abandonaram as crenças bolorentas e se renderam às evidências incontestáveis de que a vida prossegue após a decomposição cadavérica.


Descartaram o "eu creio" e proclamaram ao mundo em crise existencial o "eu sei".


Vive-se um dos mais fascinantes períodos da história das civilizações. Por toda parte sinais de decadência, soçobro de velhas e carcomidas estruturas. A teologia clerical definha. O materialismo, agoniza. A religião sectária estertora em coma profundo.


A ciência conduz os cérebros.


A tecnologia arrebata as mentes inquietas.


E a mensagem de Jesus começa a ser restaurada em suas linhas iniciais, enflorescendo o coração, saudoso D'Ele.


O cristão verdadeiro toma a iniciativa de O descrucificar, insculpindo-O na própria existência.


Fala-se abertamente em vida após a morte, religiosos ainda prisioneiros do medo combatem as novas idéias de público e a aceitam na intimidade.


A imprensa leiga e religiosa noticiam os acontecimentos novos e celebridades saem da indiferença para darem testemunho de suas novas convicções.


Mas... o que estamos fazendo com essa nova revelação?


Qual seu impacto no modo de viver e ser?


Por que o medo diante das mudanças e da transição, se as causas estão partindo da pátria espiritual em direção ao mundo das formas passageiras?


Se o governo da Terra está nas mãos de Jesus, qual a causa de tanta inquietação entre os obreiros da nova era?


Não são perguntas novas. Ele, o Embaixador de Deus, já as havia formulado outrora aos inquietos companheiros da primeira hora.


Se conheces Jesus e tens D'Ele alguma notícia em teu mundo íntimo, estás intimidado a silenciar na gritaria, servir onde muitos desistiram e socorrer dores e amarguras de teus irmãos sem revelar as tuas agonias, deixando-as em casa.


Se desejas a cristificação, aceita as traves impostas pelo mundo.


Esse é o preço.


Marta e Henrique de Luna

Salvador, 23.02.2022

 
 
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