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Primavera de Marta - Mensagem do dia 23.05.2022



Para a grande maioria dos indivíduos, a jornada terrestre se lhes afigura como um exílio, imposto pela Divindade. Falta-lhes a compreensão do porquê das ocorrências que os atinge, gerando o desconforto de não alcançarem a materialização dos sonhos e dos desejos.


A realização amorosa, que parece inatingível.


A maternidade ansiada, que nunca se efetiva.


O triunfo na ribalta profissional, que não ocorre, não obstante as imensas lutas e investimentos realizados.


A pequenez social a que se vê projetado pelos demais componentes de uma sociedade arbitrária.


E quando a ventura parece alcançar o ser, este já se encontra no limiar da grande despedida do mundo, rumando para o desconhecido.


Conquanto seja esta a plataforma de pensamento em que muitos erguem suas frágeis convicções, não corresponde à realidade dos fatos, pelo que, se fosse verdade, das duas, uma: ou Deus seria um tirano com Seus filhos, os arrojando em lutas sem sentido evolutivo, ou estaríamos todos reféns de um acaso monstruoso, onde cada destino seria uma ilógica equação matemática da vida.


Presentemente, dispondo de melhores ferramentas no campo da filosofia que questiona, de uma ciência que nunca cessa de investigar as causas para entender os efeitos, e quando a religião se permite aceitar as descobertas estonteantes da pesquisa laboratorial para confirmar ou desmentir seus postulados teológicos e dogmáticos, encontramos um terreno fértil para novos horizontes de entendimento acerca da vida e seus objetivos existenciais.


A certeza da imortalidade da alma já deveria ser, por si só, um acontecimento que teria o condão de mudar completamente a conduta e compreensão do ser no manejo de seu próprio destino.


Em sabendo, e não crendo mais, que vai sobreviver à disjunção cadavérica, outro deveria ser o comportamento do ser para consigo e para com o próximo. Contudo, enquanto essa verdade não for assimilada por todos, sem a neblina do fanatismo e da falácia de religiosos remunerados e incultos, teremos a verdade coabitando com a mentira debaixo do mesmo teto.


Depois de dilatados séculos acreditando na existência de um céu de delícias perenes, um inferno de tormentos e dores sem remissão, os novos avanços no campo da investigação sobre a vida espiritual fecharam essas duas instâncias, somente cabíveis nas mentalidades ainda prisioneiras da superstição e da manipulação teológica. Aclara-se a certeza de que ambas são estados emocionais da própria alma, que se deixou abrasar pelo ideal de servir a um projeto que lhe edificou um céu íntimo ou masmorra intelectual, a inibir todo aquele que se fez trânsfuga das divinas leis ou adversário da luz.


O demônio passou a ser qualquer um que perdeu o juízo, suscetível de o recuperar quando restabelecer o equilíbrio das emoções.


A clara percepção de que o ser é um peregrino de inumeráveis existências, onde o hoje é reflexo do ontem e amanhã trará as reações do quanto feito agora.


Ocorrências contrárias aos desejos e caprichos são freios e contra-freios da Misericórdia Excelsa, atuando em nosso próprio benefício, para que não venhamos a exigir do mundo aquilo que o mundo já assegurou não ter para nos dar.


No campo dos relacionamentos interpessoais, as mudanças poderiam e deveriam ser mais elásticas. Compreender que quantos se renderam e se rendem ao mal não passam de enfermos da alma, reclamando tratamento na enfermaria do silêncio e da prece.


Aquele que nos agride gratuitamente perdeu o senso, muitas vezes cobrando hoje aquilo que usurpamos dele ontem.


A limitação que nos acompanha desde o berço ou surge em pleno fragor das lutas não se constitui em equívoco das incorruptíveis Leis. São mecanismos de corrigenda em nosso próprio favor, impedindo ou evitando novas quedas.


E em torno de nós deixa de existir um vazio, como se os entes queridos que nos antecederam na grande viagem tivessem penetrado o não existir. Eles, despossuídos da corporalidade estão, como forças vivas da vida, em torno de nós, se imiscuindo diariamente em nossos pensamentos, atos e palavras, desejosos de se fazerem notar.


Gostariam de surgir à nossa frente, nos alertando de que pensavam uma coisa quando no corpo e encontraram uma realidade que agora lhes surge desafiadora.


Gostariam de refazer enganos. Quebrar algemas de ódio. Eliminar mal-entendidos. Alertar parentes e afeições queridas para que aproveitem a passagem pelo corpo para entesourar valores que os ladrões não furtam nem a ferrugem consome.


Sim, eles desejariam dizer tudo isso e muito mais.


Se, em tua estrada, ainda te vês prisioneiro de falácias religiosas, bordadas de dourado falso, tem a coragem de despir esses andrajos passageiros. Busca, sem tardança, o armário de Deus e veste o manto de luz, aguardando o dia da grande transição para a pátria da luz.


Jesus te segue os passos desde o ontem longínquo, te apontando o futuro propínquo.


Teu melhor momento: agora!


Marta

Salvador, 23.05.2022

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