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Primavera de Marta - Mensagem do dia 23.06.2022



Na segunda metade do século XX houve um enorme desenvolvimento da chamada sétima arte, o cinema. Novas tecnologias, personagens digitais e cenários futuristas imprimiram um campo de fantasia nunca antes imaginado ou visto nas salas de projeção.


Dos quadrinhos para a grande tela foi um pulo. Heróis e personagens da mitologia greco-romana foram transportados dos mangás e álbuns para a vida cinematográfica, onde lutaram contra forças que buscavam destruir a Terra.


O super homem saiu de krypton, um mundo distante no espaço e veio cheio de poderes lutar em nosso planeta contra diversos adversários cruéis da sociedade organizada. Batman adotou o modelo do morcego e numa Gotham City apinhada de facínoras busca restabelecer a ordem.


A liga da justiça, a mulher maravilha e muitos outros saíram do campo imaginativo e se vestiram de carne e ossos. Se tornaram paladinos da ética e da justiça.


Psicologicamente, por detrás de todos eles está nossa eterna ânsia por uma sociedade justa e solidária, onde o mal não seja aplaudido nem o crime ganhe cidadania.


Desde os primórdios do Direito que ficou ínsito no cerne do ser a ideia clara de que o trânsfuga deve ser apenado, o delito comporta uma pena e que numa comunidade que deseja evoluir o mal não pode permanecer impune.


Nos anais da história é possível identificar muitos heróis apagados e tiranos em destaque. O judas ainda permanece malhado na praça pela meninada em algazarra, como se fosse até hoje um réu sem direito à reabilitação. Recorda-se de Nero e sua corte depravada, Calígula e suas orgias sem limites, as atrocidades cometidas pelos ditadores dos séculos XIX e XX, mas lamentável esquecimento ignora, até hoje, os heróis da fé e da verdade.


Onde a galeria dos primeiros cristãos, que doaram suas existências em honra da nascente mensagem de Jesus entre os homens?


Onde localizar lances biográficos dos silenciados por discordarem da tirania e do preconceito?


Qual a história de vida de cada um dos doze apóstolos, que seguiram após o Mestre, espalhando no mundo a esperança e a alegria?


Eles e muitos outros não lograram serem celebrizados na história do cinema.


Até hoje são personagens ocultos de lutas pessoais para que tivéssemos acesso a uma diretriz ética e uma razão para viver. Não eram possuidores de poderes espetaculares, nem portavam instrumentos com que poderiam aniquilar o mal.


Deram-se em honra da verdade.


Ampararam vidas e estas não deixaram registros em papiros e pergaminhos.


Não foram imortalizados nas telas, não deixaram marcas na calçada da fama nem se viram prisioneiros de noites de gala ou autógrafos intermináveis.


Simplesmente serviram e passaram.


Em tuas lutas que o mundo não enxerga, em teus testemunhos que a família desconhece e em tuas provações que o cônjuge ignora, quase sempre não salvarás uma cidade de monstros espaciais ou de feras produzidas em laboratório por cientistas esquizofrênicos. Serás herói de ti mesmo se conseguires domar teu cérbero íntimo, controlar teus instintos primitivos e educar tuas paixões dissolventes.


Não aguardes que o mundo te aplauda as lutas titânicas que se travam em tua intimidade. Não são vistas.


Quase ninguém é herói em sua própria terra. Todos estão esperando um herói voador e tu caminhas nas poeirentas estradas das dificuldades humanas.


Avança, mesmo que te custe lágrimas!


Sorve a água salobra de tua inferioridade!


Vencendo teus adversários íntimos, serás triunfador em tua arena profunda, onde somente o olhar divino alcança.


E para os heróis da fé e da tenacidade, das disciplinas e das austeridades morais, o Senhor nunca tem prêmios, medalhas ou férias.


Ele apontará novas frentes de serviço, onde o trabalho se desdobra em favor de todos.


Marta

Juazeiro, 23.06.2022

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