Primavera de Marta - Mensagem do dia 25.02.2022
- Casa de Jesus

- 25 de fev. de 2022
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De tempos em tempos a humanidade se vê atingida pelo rufar dos canhões, e o silêncio das noites estreladas é interrompido pela metralha apavorante, gerando medo e inquietação.
O sinistro espectro da guerra nunca abandonou a convivência com as criaturas humanas. Quando se estabelecem no seio das coletividades alguns anos ou décadas de paz, surge a turbulência, a falta de diálogo e as baionetas deixam os quartéis, assaltando os campos cobertos de flores, espalhando o bafio pestilento da mortandade sem medida.
Situações que a diplomacia poderia solucionar na base do diálogo acabam resvalando para os campos de batalha, onde os instintos passam a predominar, enlutando famílias e destruindo as mais belas construções da arte e estética humana.
A paz sofre o revide da arrogância.
O silêncio faz-se troada selvagem.
Os pássaros emudecem diante dos obuses destruidores.
Fecham-se os teatros e cinemas. A arte empalidece diante da tragédia do cotidiano.
Cerram-se as portas de respeitáveis bibliotecas e o livro sai das mãos, que agora empunham rifles e granadas de estilhaço.
Em vez de alegres ônibus escolares, levando a meninada feliz para as escolas, o som patético de caminhões e tanques se faz tomar o asfalto, transportando soldados que vão matar e vão morrer.
Em cerca de 3.500 anos de história, vivemos apenas três séculos sob a bandeira da paz.
Somos, inegavelmente, uma sociedade violenta, ainda tendente a resolver disputas políticas e escaramuças ideológicas na base do míssil e do artefato nuclear.
Se intimida o outro pelo número de ogivas em estoque.
Os gastos anuais das mais militarizadas nações da Terra superam trilhões de dólares, recursos que nunca chegam para as regiões áridas, desprovidas de água potável, jamais aparecem nas escolas caindo aos pedaços nem erguem safras nos campos vazios.
Mentes brilhantes da engenharia, da estratégia e da logística são regiamente remuneradas para pensarem estratégias de como solapar a força do adversário.
Poderiam estar em sala de aula, desidratando a ignorância, esculpindo o caráter de alunos rebeldes e indóceis, estruturando um novo tempo na educação e na ciência.
E quando o rastilho da pólvora cessa sua ação nefasta, e os armistícios são assinados entre pompas e circunstâncias, o legado que se tem são hospitais cheios de feridos, mutilados, órfãos e viúvas buscando recolher os pedaços da esperança perdida, retomando a vida sob amarguras intraduzíveis.
Até quando elegeremos a guerra como alternativa infeliz para equacionar litígios de território ou poder político?
O custo da paz é tão baixo.
O preço do conflito é tão alto.
Numa época de tanta ciência e tecnologia, onde o céu não é mais o limite para a curiosidade do ser pensante, alçamos ao espaço artefatos de última geração, buscando averiguar se outras civilizações existem além da humanidade. Sondamos o cosmo em busca de vida extraterrestre.
E quanta vida na Terra, suplicando por viver modestamente!
O operário que já não pode ir para a fábrica, destruída pelo míssil balístico de alto poder destrutivo. A casa em escombros, que a aviação militar reduziu a pó. O asfalto, machucado pelas esteiras de pesados comboios militares. O uniforme escolar pendurado num canto, enquanto o fardamento de combate toma conta das ruas.
Prédios em silêncio.
Artistas e poetas de garganta emudecidas pelo medo ou caladas em definitivo pela morte.
Universidades fechadas e estudantes em fuga.
- Senhor, vem outra vez ao mundo, ensinar-nos a parábola do filho pródigo ou do bom samaritano! Nos conta, uma vez mais, a saga do semeador que saiu a semear...
- Nos reúne na Cafarnaum de Tuas doces tertúlias e nos aquieta o instinto belicoso.
- Orienta-nos como pescar almas perdidas ou convulsionadas na ufania das transitórias honrarias terrestres, as encaminhando para as dúlcidas vibrações de Tua mensagem libertadora!
- Nos reafirma, uma vez mais, que somente o cultivo da paz poderá fazer do planeta um lugar melhor para nós e para nossos filhos.
- Agora que Te ouvimos, permite que saíamos pelas áridas paisagens do coração humano colocando uma flor em cada fuzil, uma rosa em cada canhão, convertendo tanto ferro em preciosos arados.
E que à noite possamos repousar no chão do mundo, sem receio que as estrelas sejam apagadas pelo cogumelo atômico!
- Senhor, se ainda confias nos homens e nas mulheres, envia um sinal! Precisamos, com urgência, voltar a ouvir Mozart, Beethoven, Schubert, Debussy, Brahms, Verdi...
Assim seja!
Marta
Salvador, 25.02.2022



