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Primavera de Marta - Mensagem do dia 25.03.2022



Por toda parte as lágrimas denunciam a presença da dor ou o estilete da saudade, a agonia da separação ou a perda de algo valioso.


Em todas as épocas da história, fez parte das lutas humanas e vazando pelos olhos, eclipsa a visão do caminho ou areja a estrada da evolução, dependendo das causas que a provocam.


Tem quem as promova, desencadeando forças contrárias ao progresso e ao bem, respondendo pelas mesmas ante a cobrança das leis de justiça, das quais Espírito algum pode se evadir.


A viuvez que pranteia a cripta fria, a ocultar o ser amado que a morte furtou do convívio.


As lágrimas da orfandade, que se renovam a cada dia, na esperança de que os genitores desaparecidos regressem, trazendo nas mãos braçadas de flores.


O bilhete de saudade que o enamorado deixou, ante a partida para ignorado destino.


E existem lágrimas que refletem a emoção das alegrias que a vida oferta de quando em quando, suavizando as dores e amarguras da trilha.


Quando nasce um filho, todos sorriem, só ele chora ante o impacto de ser arrancado do claustro tépido, onde se recolheu por nove meses. Quando parte, só ele ri. Todos choram o filho que o Pai pediu de volta.


O reencontro com alguém querido, onde as cordas da alma parecem vibrar numa sinfonia intensa, tecendo uma melodia de júbilo indescritível.


A emoção de um discurso, onde fatos de impacto emocional são traduzidos em letras arrebatadoras, e dentre elas, destacamos o bilhete ligeiro que o ente querido, colhido no acidente de carro ou na tragédia aérea envia oportunamente pelo correio da mediunidade, secando as lágrimas da dor insuportável de quem ficou refém da tristeza.


Como é curioso anotar que é pelos olhos que elas se manifestam! Descem do canto, como se fossem gemas líquidas, a traduzirem o intraduzível.


Possuem mais poder de expressão do que as palavras. Falam mais alto do que verborragias falaciosas.


Onde surgem, sinalizam que não perdemos a capacidade de nos emocionar ou nos indignar ante a crueza das atitudes revoltantes.


É a mesma no santo ou no equivocado, no justo e no indigno, no que adentra o cárcere ou dele se liberta pelo alvará da pena finda, mas cada uma delas carrega diferente emoção, causa própria e só o íntimo que a produz sabe o que está vivendo.


Ele as derramou muitas vezes.


Regressando das peregrinações intermináveis por socorrer as lágrimas alheias, foi informado de que Lázaro, a quem tanto amava e era amado, tinha sido tragado pela morte.


Ele chorou.


Mas fez das lágrimas poema de vida abundante, arrancando o amigo querido da cova de pedra para a continuidade da experiência iluminativa do mundo.


Em sofrimento indescritível, anotou o pranto das mulheres piedosas de Jerusalém, que lhe deram alento na dolorosa via do calvário, e suplicou que elas não chorassem por Ele, mas sim pelos ventres estéreis e pelos seios que nunca amamentaram.


Qualquer oleografia D'Ele sempre traduz uma certa melancolia no olhar. A visão parece distante. Os lábios estão quase sempre fechados.


Essa visão pessimista e depressiva não corresponde à realidade do Seu canto de paz e cantilena de amor.


Seu testamento é herança de alegria e esperança.


De Suas mãos incansáveis muitos se ergueram para a preciosidade do movimento. Feridas foram limpas, enfermidades afastadas e o pão se fez farto para acalento de estômagos atormentados pela canícula da fome.


Sua crucificação não fez cessar Seu convite ao amor.


Enquanto Seus algozes desceram ao túmulo para acerto de contas com a verdade, Ele prosseguiu e prossegue arrebatando vidas e iluminando consciências, produzindo lágrimas de emoção e felicidade no mundo íntimo de quem aderiu ao Seu roteiro de luz.


Ainda está muito crido. Precisa ser sentido.


Permanece preso num madeiro de infâmia e flagício. Precisamos ter a coragem de O descrucificar.


Tem sido invocado para justificar condutas equivocadas ou conflitos de natureza religiosa. Ele jamais se valeu de anátema contra quem pensava diferente, a todos acolhendo não só pelo que eram, mas sobretudo pelo que poderiam vir a ser.


Choras?


Sofres?


Indigna-te?


Não estás sozinho.


A dor e o martírio tem sido o preço e o troféu dos Santos e dos companheiros que Lhe tem sido fiéis.


Faze de tua algia oculta tua catapulta de evolução. Visita alguém em penúria. Ceia com um peregrino que tombou na estrada, desfalecido nas forças.


Cultiva a alegria numa criança que teve a infância roubada.


Inocula alguma esperança no velhinho que converteu os sonhos em pesadelos.


E quando tuas lágrimas te assaltarem na noite medonha, recorda Jesus, enxuga o rosto molhado e volta ao caminho para sustentar alguém de cujos olhos não pendem mais lágrimas, tamanho o sofrimento enfrentado.


Constatarás como és venturoso, sendo nas mãos D'Ele instrumento de consolação e renovação para os dias das grandes provações.


Marta

Salvador, 25.03.2022

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