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Primavera de Marta - Mensagem do dia 25.05.2022



Em meio ao furacão de ocorrências que varrem a sociedade terrestre, queda-se o ser em inquietantes perquirições íntimas, tentando compreender a atuação dos mecanismos divinos na lapidação das inarmonias humanas.


Flagelos naturais que eclodem, inesperados, ceifando milhões de vidas. Guerras de arrasamento recíproco, abrindo largas feridas nos povos em litígio. Fome derivada de colheitas nanicas ou da usurpação criminosa de víveres indispensáveis à mantença da dignidade da pessoa humana.


Agindo de maneira cavilosa, o ser parece ignorar o braço duro da justiça do mundo, que em muitos casos segrega o calceta, impondo-lhe o afastamento compulsório da convivência comum, a fim de poupar os demais do contágio do mal.


A impunidade que campeia desenfreada, gerando um tecido social apodrecido, onde o cidadão lança fora sua dignidade, como se vivêssemos em plena era da barbárie.


E ao lado desses exemplos e comportamentos que apequenam a atual sociedade do século das luzes, encontramos os esforços heróicos de quem ainda pontifica na ética, insiste nos valores de família, sem fanatismo e se conduz pela inteireza de caráter.


A crise ética se espalha como um morbo contagioso, criando uma sensação de tempo perdido e de que o bem perdeu o seu fascínio.


Quantos, em derredor de nossos passos, não estão tentando de maneira incansável, edificar uma nova era, erguida sob os marcos da dignidade e do respeito ao próximo?


Sonhadores e poetas fazem da arte seu instrumento de pacificação social. Dedicados, semeiam a disciplina dos instintos, batalhando pacificamente por uma sociedade justa e solidária.


Em meio ao caos, suturam a hemorragia de valores que insiste em aniquilar a vitalidade ética desses dias conturbados.


E nem todos se filiam às diversas correntes do cristianismo, o que é de secundária importância. A questão básica de nosso tempo não é o de saber se a pessoa é de direita, esquerda ou centro, do ponto de vista político. Se adota esta ou aquela doutrina religiosa, esgrimindo armas teológicas e discursos falaciosos para atender o proselitismo de grei.


Fundamental que a conduta do indivíduo no mundo seja nobre, coloque o interesse coletivo sempre à frente do individual e faça da escola filosófica, religiosa ou política onde escolheu atuar cátedra para um mundo mais humano, justo e solidário para todos.


Muitos se proclamam cristãos, cujas condutas os desmentem.


Outros se afirmam liberais, mas o comportamento entre quatro paredes os denunciam como tiranos domésticos.


Ensaiam discursos comoventes em tribunas douradas, mantendo entre os seus posturas contrárias ao que pregam.


Esses são os paradoxos de nosso tempo, gerando em jovens e moços imensas incertezas de dias venturosos, e esse contágio parece se demorar sobre os céus de um planeta em convulsões as mais diversas.


Dando a sensação de que os céus cansaram de esperar pela redenção humana pelas vias do amor, a Excelsa Vontade determina que instrumentos contundentes surjam entre os homens e mulheres para acelerar aquilo que tarda.


Onde o amor foi expulso, a dor está como inquilina.


De onde a paz foi escorraçada, a guerra ocupou o lugar.


Afugentemos a esperança e o desespero será nosso hóspede.


Esnobemos a justiça e uma terra sem lei se imporá, esmagando a serenidade.


Somente quando a sociedade assimilar as diretrizes morais do Cristo teremos no mundo o caldo nutritivo que proporcionará o surgimento de um novo tempo, balizado pelo triunfo da verdade, política da solidariedade e religião sem fronteiras dogmáticas.


O balão de ensaios prossegue, testando nossos limites.


Se o desejares, podes, desde hoje, atuar no mundo de maneira diferente do habitual. Insculpe em teu falar a linguagem sã e irrepreensível, como nos alertou o convertido de Damasco. Age de maneira ética e nobre, não ofertando margem a equivocadas interpretações e quando colidirem teus interesses com aqueles dos mais vulneráveis, abre mão de teus caprichos e deixa Deus operar em tua estrada.


Talvez venhas alegar que um poste pequeno não possa, sozinho, clarear uma estrada tão longa.


Recorda D'Ele, a luz do mundo.


Apagou a própria claridade, desceu para o convívio com as sombras humanas numa estrebaria, viveu entre os desafortunados e regressou ao Pai num madeiro infamante, rasgando para todos um tempo novo, feito de amor e renúncia.


Ele, teu modelo e guia.


O mais, é vitrine passageira.


Marta

Salvador, 25.05.2022

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