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Primavera de Marta - Mensagem do dia 26.09.2022



De um planeta eminentemente agrário e rural, cuja base econômica sempre foi o campo, a humanidade dos últimos dois milênios evoluiu a passadas de gigante para uma economia profundamente diversificada.


A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII e ainda não encerrada arrancou essa população do campo e a atraiu para as grandes fábricas de manufaturas nos limites das grandes cidades européias, fazendo surgir novas classes e diversificando as exigências do consumidor. Burgueses e proletários, operários e capitalistas, banqueiros e comerciantes passaram a conviver debaixo do mesmo clima de concorrência, conquanto com ideais bastante diferentes.


O detentor de vultosos recursos sempre buscou a expansão dos negócios, dilatando fronteiras para novos e emergentes compradores. Estes, por sua vez, lutaram e lutam por preços justos, compatíveis com sua realidade financeira. Operários se organizaram, a partir da Inglaterra vitoriana, em sindicatos, buscando unificar direitos e defender as categorias da ação predatória de empresários gananciosos e avarentos.


Uma queda de braço formidável se criou em vários países, hoje distribuída de forma bastante desigual.

Os modernos economistas não divergem de que o mundo globalizado se tornou uma imensa aldeia. Se houver distúrbio numa oca, toda a tribo sente o abalo. Uma catástrofe ou conflito localizado tem o poder de desestabilizar a espinha dorsal da economia mundial. A crise do euro ou do dólar torna algumas moedas voláteis, flutuantes, no acirrado jogo de interesses argentários, hoje predominante na Terra.


E enquanto as bolsas especulam, os campos explodem em fartura de grãos, as reservas cambiais se fortalecem ou se desidratam, nessa máquina colossal de moer carne estão dois atores principais: o homem e a mulher.


Herdeiros de multifárias experiências evolutivas, se fizeram profundamente sensíveis. Possuem hoje muito mais conexões cerebrais que o exemplar das cavernas. A paranormalidade inata se lhes aguça a curiosidade em torno da realidade transcendente. Se fizeram mais seletivos e exigentes em matéria de relacionamentos afetivos. Se forram aos altos e baixos da gangorra econômica, evitando ou prevenindo a insegurança alimentar.


Poupam, quando possível, alguma reserva para os dias das vacas magras, mas tamanha sensibilidade tem um preço.


Muitos estão sucumbindo à ansiedade devastadora. A depressão segrega milhões em quartos escuros. O pânico subtraiu de incontáveis a alegria de viver.


Síndromes variadas, fobias desconhecidas, transtornos de difícil precisão médica assaltam a aparente tranquilidade de muitos, situando corações e mentes em plataformas de inquietação e pavor.


A ciência médica se debruça em estatísticas e estudos aprofundados sobre a argamassa orgânica, tentando localizar na complexidade do DNA e na interação de neurotransmissores a crise que vergasta bilhões de habitantes do planeta. A psicologia tenta decifrar esse ser que se alegra pela manhã e se esfarela no final da tarde.


Uma imensa incógnita parece empurrar o ser para o abismo ou para um portal inteiramente inesperado, de onde pode surgir uma claridade salvadora, que ajude o ser a encontrar-se a si mesmo.


Falta-lhe uma diretriz de conforto moral.

Os arranha-céus construídos não o aproximaram de Deus.


Templos diversos agem como exaustores de almas aflitas, sem necessariamente equacionar o drama da evolução.


Sacerdotes ignoram a própria origem e não possuem respostas convincentes para o rebanho em agonia moral.


Eclodem nas ruas os gestos de agressividade gratuita, chocantes, levando legisladores a endurecer as leis para conter o surto dos que optaram por caminhos marginais à coletividade.


Presídios cheios, escolas vazias.

Casamentos em queda livre, divórcios no atacado.


Incompatibilidade de gênios em diversos setores da vida comunitária e particularmente na seara política, onde ferinos espinhos parecem ser o cartão de visita aos invigilantes.


E no meio do olho do furacão, caminhas em luta por teus ideais. Tens sobrevivido a duras penas nesse rolo compressor das exigências da atualidade.


Cada dia estão mais escassos os espaços de silêncio, os minutos consagrados à meditação e a prece, em muitos orantes, se tornou maquinal, divorciada do coração.

Quando te notam em relativo equilíbrio, te cercam inúmeros apelos por ajuda e socorro.


És uma ilha modesta em meio a um mar agitado de súplicas e aflições.


Tens Jesus em tua existência.

Sabes que a transição tem um custo. O aparente caos é limpeza pesada, visando a Terra mais purificada do amanhã distante.


Convulsões de agora são espasmos de um planeta violado, agredido incessantemente pela ganância. Gaia estertora, buscando reequilibrar suas forças telúricas.


Onde estiveres, com quem venhas a caminhar, onde seja chamado a opinar ou falar qualquer verbete, espalha aí sementes de esperança, bagos de fé e distribui o pão da misericórdia.


O mundo está muito exigente, mas Jesus espera de ti tão somente um gesto de boa vontade.


O resto, a parte mais difícil, Ele fará.


Marta

Salvador, 26.09.2022

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