Primavera de Marta - Mensagem do dia 27.04.2022
- Casa de Jesus

- 27 de abr. de 2022
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Altamente contagioso, o pessimismo grassa entre os corações humanos com uma velocidade muito grande, deixando rastros sombrios por onde passa.
Em meio a uma vida agitada e febril, onde as ocorrências malsãs possuem destaque e a vulgaridade parece triunfar sobre a honra, o ser se vê aturdido com um volume de informações que não dá conta, atingido por petardos mentais de inquietação e ansiedade, ao tempo que as demonstrações de mediocridade turvam uma visão mais otimista da vida.
O humor se faz fescenino.
O comentário sobre um ausente passa a ser caluniante e chulo.
A análise religiosa é agressiva e intolerante.
E os próprios diálogos entre as pessoas raramente se mantém em nível elevado, quase sempre derrapando para o vulgar, o deboche e a ironia.
Quais farpas mentais, sem que sejam percebidas, se insinuam na casa mental de muitos, gerando um morbo muito nutritivo para o cultivo da visão pessimista da vida.
Ninguém parece prestar.
A classe política, uma das mais visadas, sofre descaridosa apreciação por parte de muitos daqueles que igualmente não cumprem com seus deveres de cidadania.
Religiosos e empresários tem suas biografias devassadas por ociosos e desocupados, que mesmo possuindo atividades com as quais deveriam empregar a energia que lhes sobra, se valem do tempo para enegrecer vidas que não conhecem.
E o "mexerico da candinha" se espalha como rastilho de pólvora aceso pela fagulha da invigilância.
Certamente que não insinuamos aqui que o indivíduo deva abrir mão de um senso crítico sobre a sociedade na qual moureja e atua, analisando a conjuntura onde se movimenta como peça viva de uma comunidade em constante mutação, mas nada justifica que se gaste tanto tempo nas conversas frívolas, vazias de conteúdo e sobretudo pessimistas.
Em milhares de anos de história temos elaborado compêndios de conduta, livros de ética e manuais religiosos, nos ofertando diretrizes para o bom uso do tempo e a saudável manipulação da palavra.
Já somos esclarecidos que o verbo ruim adoece, rebaixa e contamina.
Se alguém nos procura à cata de um esclarecimento, com certeza não deseja sair de nossa presença pior do que quando chegou. Busca uma orientação que o arranque da incerteza, um conselho que oferte saída do problema e um alvitre que lhe reerga do pessimismo no qual mergulhou.
Cada um de nós, em sendo procurado por outrem, a portar o vinhoto da amargura e o rícino da aflição, tem o dever moral de ofertar alguma frase de otimismo e algumas gotas de esperança.
Bastará que cada pessoa, que escuta outra pessoa, se coloque mentalmente no lugar do falante e se pergunte a si mesmo o que faria se estivesse em idêntica situação.
Ninguém que tem sede vem nos pedir vinagre ou faminto deseja receber uma pedra, no lugar do pão.
Já temos más notícias em abundância.
O noticiário de cada dia, com raras exceções, é de arrepiar.
As redes sociais, quando não exibem o vazio que a muitos subjugou, ofertam apenas paisagens de rostos e sorrisos muito bem elaborados, nem sempre refletindo o quanto se vai na intimidade de cada um.
Vive-se um momento de muita aparência e escassa essência.
Ele, o Bom Pastor, sempre soube e sabe o que vai na intimidade de Suas ovelhas. Nos acompanhando por milênios sem fim, nos outorgou o código da existência pelo diapasão das palavras de vida eterna.
Nos ofertou um sentido existencial.
Nos conclamou à solidariedade e à fraternidade uns para com os outros, utilizando o sim, sim ou o não, não, conforme as circunstâncias da caminhada.
Faz D'Ele teu espelho.
Imita-O nas conversas que tenhas com outrem.
Não será necessário adotar uma caricatura que te arroje no ridículo ou te exponha ao deboche de muitos.
Sê cauteloso nos teus comentários.
Ouve a prudência antes de agir.
Aconselha-te com o bom senso antes de decidir isto ou aquilo.
E onde estiveres e com quem venhas a travar contato, ligeiro ou demorado, faz do otimismo teu companheiro de viagem pelo mundo, a fim de que, quando teu passaporte te impuser regresso ao grande lar, possam aqueles que conviveram contigo lamentar tua ausência, destacando que em meio a alguns defeitos e senões, tu eras profundamente otimista.
Enquanto muitos se demoram no inverno rigoroso do pessimismo e outros se veem reféns dos verões secos da maldade, sê tu uma primavera fora de época.
Mais vale ser isolada flor perfumando o vale do que um amontoado de espinhos, ferindo os pés dos caminhantes do mundo.
Marta
Salvador, 27.04.2022



