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Primavera de Marta - Mensagem do dia 29.06.2022



Pessoa alguma atravessa as estradas do mundo sem deixar pegadas no chão. Por onde passamos, nossos sinais ficaram em alguém e, de outrem, levamos algo nos estojos da alma.


Após a travessia penosa e lenta das complexas engrenagens da evolução, evoluindo desde o batráquio até a condição humanóide, a sensibilidade que ora nos premia o estágio evolutivo nos faz profundamente sensíveis, e as marcas nos campos do sentimento e da emoção seguem conosco como digitais evolutivas.


Sonhos bailam em nossa intimidade até virarem realidade ou pesadelos. Depende da energia empregada e das intenções nutridas.


Relacionamentos deixam sulcos na intimidade profunda, alguns assinalados por ressentimentos demorados e outros por saudades cortantes.


Tem gente que convive conosco demoradamente e vai embora como se nunca tivesse existido. E outros ficaram em nossa órbita por dez minutos e nunca mais os apagamos da memória ou do afeto.


Como equacionar essas ocorrências da convivência?


Onde localizar explicações convincentes para que permitamos que alguém nos machuque por 30 anos, fincando uma espada de dor e amargura nos tecidos sensíveis da alma, enquanto outras pessoas estiveram conosco do alvorecer ao crepúsculo, mas nos imprimiram nos sentimentos uma ternura que nunca mais se apagou?


Sem bases de raciocínios na imortalidade da alma e na anterioridade das existências fica muito confuso entender esses complexos caminhos que se cruzam nas estradas dos destinos. Atrás de nós, uma vasta marcha de experiências fracassadas, quedas lamentáveis, atos insanos e perfídia contra muitos corações. Igualmente, atos de nobreza, gestos de renúncias, altruísmo, solidariedade que firma laços de afeto.


Pronto! Criamos laços.


No tempo presente, encontros novos.


Reencontros. Amargos desencontros.


Antipatias e algozes cruéis dentro das quatro paredes do lar, e lá fora amigos do peito, irmãos e afetos queridos sem traços consanguíneos, por cujas vidas somos capazes de doar as nossas.


Matrimônios que começam nas pompas do impacto social e sucumbem nos tribunais, em lamentáveis litígios por bens materiais.


Mossas da vida conjugal que se esfarela de um instante para outro. E logo após a ruptura de um vínculo doloroso, surge alguém na simplicidade de uma tarde, parecendo a estrela Dalva, a nos preencher o vazio existencial.


O que dizemos, alguém toma por referência de vida. Firma jurisprudência moral. Acata e acolhe como diretriz no proceder. Outro, publica numa rede social um ponto de vista. Em dez minutos, recebe aplausos ou críticas, flores ou pedradas.


Assiste seu nome ser lançado na lama da calúnia bem urdida, tem sua reputação pisoteada pelos contrariados. E impactados pela reação desproporcional, alguns se atiram na depressão ou rumam para o suicídio.


Em sentido exatamente oposto, uma música ou brincadeira caseira torna-se viral e em breves horas nasce uma estrela. Digamos, meteorito.


Fama e desgraça, com que rapidez ocorrem!


A questão não é se saber famoso ou ignorado. É constatar como lidamos com esses fenômenos modernos, que impressões eles deixam em nossas estruturas íntimas e se somos capazes de superar, retomando a marcha para nossa destinação real.


Viver é um enorme desafio.


A convivência, um teste diário que muitos não suportam.


De qualquer uma delas, lições a extrair.


Aprender a perder sem se perder.


Ter e saber que não é dono.


Possuir hoje e ter mãos vazias ao amanhecer.


Contemplar a dor do outro sem ironia e buscar penetrar essa dor para auxiliar, sem interrogatórios desnecessários.


Criticar o que faz e não fazer o que critica nos outros.


Praticar o jejum das vibrações perturbadoras.


Visitado pelas dificuldades, aceitar de maneira otimista o cálice das provas difíceis, não se lamentar e mover o otimismo e a confiança na reestruturação de um novo quadro existencial.


Ouvir com paciência as experiências alheias, sem ansiedade alguma em se biografar diante dos outros.


Ser o último e intimamente se sentir o primeiro.


Não ser convidado e ainda assim recomendar a festa para que outros se rejubilem.


Difícil? Certamente.


Mas em momento oportuno de Seu messianato, o Divino Amigo se pronunciou nesses termos: no mundo, tereis aflições. Eu, porém, venci o mundo!


O mundo a vencer?


O nosso!


E os outros?


Isso é assunto pertinente a cada um.


Importa seguir como se a primavera fosse pra sempre.


Marta

Salvador, 29.06.2022

 
 
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