Primavera de Marta - Mensagem do dia 29.12.2021
- Casa de Jesus

- 29 de dez. de 2021
- 3 min de leitura

Ao olhar cuidadoso do operário interessado em aprender, o mundo lhe parecerá uma imensa Babel, prenhe de contrastes e idiomas estranhos.
Servidores em atritos constantes por migalhas de pão.
Lutas intérminas pela ração escassa.
Pugilato no campo dos sentimentos.
Duelos vergonhosos, produzindo o rebaixamento moral.
Entretanto, não se pode esperar uniformidade numa escola das proporções da Terra, onde vagueiam bilhões de almas, sedentas em ambos os polos da vida, em busca de um sentido existencial. Cada qual arrasta suas mazelas, seus anseios, sonhos e pesadelos, vislumbrando um futuro de luz, mas algemados ao passado de sombras.
Quase todos nós, as almas imperfeitas em lapidação nas oficinas terrestres, estamos em campo de luta aberta contra as próprias imperfeições, ainda revolvendo amarguras e conflitos que são nossa herança espúria, filha indigesta de uma conduta prisioneira da ignorância e da rebeldia. Minimamente tocados pela mensagem do Evangelho, começamos a vislumbrar outros campos mais sutis, além das impressões grosseiras da carne passageira, para esta realidade começando a fazer modestos esforços de crescimento e adesão tardia.
O bem começa a nos fazer bem.
Já conseguimos nos indignar com a agressividade alheia e com a indiferença criminosa.
Pequenos gestos de ternura e acolhimento começam a exalar de nossa convivência com o semelhante.
Maiores cotas de tolerância já nos fazem aceitar os contrários ao nosso modo de ser.
Diminuímos a volúpia pela guerra e elegemos o diálogo e a diplomacia como alternativas saudáveis e menos destrutivas para solução de nossos conflitos.
A sede de paz nos abrasa.
A mensagem da cruz nos emociona.
E, como é natural, o impulso de mudança individual começa a gerar mudanças coletivas, produzindo inicialmente convulsões e espasmos na cultura, no entendimento, na religião e nas famílias, a fim de alterar estruturas que estavam montadas para atender uma cultura materialista e egóica.
Vinte séculos depois do martírio do Justo, nos apercebemos frágeis, vulneráveis a nós mesmos e divorciados do amor divino, que nunca nos abandonou.
Tentamos tirar Deus da consciência coletiva e não conseguimos. Nos encharcamos de negacionismo na vã tentativa de eliminar o sagrado que subsiste no íntimo, e nos descobrimos ansiosos, depressivos, amargurados, rumando do nada para lugar nenhum.
Quais filhos pródigos, famintos de conquistar o mundo, o tivemos nas mãos e este nos escapou do controle pelo furto alheio ou pelo embargo da morte.
As dores nos lecionaram humildade.
A desilusão nos trouxe de volta à realidade.
O descortino da realidade espiritual, há pouco mais de dois séculos, nos rasgou os véus da imortalidade de alto a baixo, nos revelando uma sociedade pulsante e febril além da campa mortuária, onde homens e mulheres, desvestidos do manto das cartilagens orgânicas, prosseguem lutando e aprendendo de maneira incessante, a esmagadora maioria constituída de menores no campo moral e intelectual.
Anseiam pelo retorno ao berço de carne.
Suplicam nova oportunidade na arena onde fracassaram.
Clamam por nova matrícula no liceu das lutas terrestres.
Certamente, regressarão...
Mas o palco já é outro, novos cenários, velhos atores, quase o mesmo script.
Os vícios típicos, as ambições desmedidas, o comodismo e as antigas vinculações perturbadoras estarão por perto, de atalaia, espreitando nova queda. Mas, igualmente, a renovação e a coragem, a força de vontade e o amparo de afeições queridas estarão quais sentinelas do bem, ofertando orientação e inspiração no campo da transpiração que cada um terá como oficina de sua própria redenção.
Em plena virada do ano, constatas que não conseguiste ser o que almejavas. Sonhos se esfumaram na pandemia destruidora.
Oportunidades surgiram ligeiras e se foram, inaproveitadas.
Inimigos minaram o campo por onde transitastes.
Paixões vulcânicas te aprisionaram em leitos de prazer, te anestesiando o senso do dever.
Sim, sabemos ambos de tudo isso e, conquanto ninguém possa voltar para refazer o começo, qualquer um de nós pode, a partir de hoje, elaborar um novo final.
Como? De que forma?
Lê uma vez mais Mateus, capítulo 13, versos de 1 a 9.
Para todos nós, já é um bom começo.
Marta
Juazeiro, 29.12.2021
Seguindo instruções da benfeitora Marta
Mateus: Cap 9, 1-9
Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galiléia.
Uma grande multidão reuniu-se em volta dele.
Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia.
E disse-lhes muitas coisas em parábolas:
“O semeador saiu para semear.
Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram.
Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra.
As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda.
Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz.
Outras sementes caíram no meio dos espinhos.
Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas.
Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente.
Quem tem ouvidos, ouça!"
A Bíblia.
Novo testamento



